domingo, 29 de setembro de 2013

ACNUR parabeniza Brasil por anúncio de vistos humanitários para sírios


A Agência da ONU para Refugiados parabenizou hoje, em Genebra, o recente anúncio feito pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) do Brasil sobre a concessão de vistos humanitários especiais para cidadãos sírios e de outras nacionalidades que estejam afetados pelo conflito da Síria e que desejem buscar refúgio no Brasil.
"A decisão vai ajudar a acelerar a entrada destas pessoas no Brasil, e a resolução que permite esse procedimento especial é válida por dois anos", disse em Genebra o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards.
De acordo com a medida anunciada nesta semana, as embaixadas e consulados do Brasil nos países vizinhos à Síria serão responsáveis pela emissão de vistos de viagem para as pessoas que queiram vir para o país.
Os pedidos de refúgio deverão ser apresentados no momento da chegada ao Brasil. Esses vistos humanitários especiais também serão fornecidos aos membros das famílias que vivem ou estão nos países vizinhos à Síria.
O Brasil é o primeiro país na região das Américas a adotar essa abordagem em relação aos refugiados sírios. Estima-se que três milhões de brasileiros têm ascendência síria, principalmente a partir de uma onda de imigração que ocorreu por volta do início do século 20.
Até agora, o número de refugiados da crise na Síria no Brasil tem sido pequeno, com cerca de 280 pessoas reconhecidas pelo CONARE. Não há solicitações de refúgio pendentes, e o Brasil aprovou 100% dos pedidos
apresentados - ressaltou o porta-voz do ACNUR. No entanto, de acordo com o Ministério da Justiça, o número tem aumentado gradualmente.
O procedimento anunciado pelo governo brasileiro é consistente com as normas estabelecidas na lei brasileira de refúgio, afirmou o ACNUR.
Atualmente, cerca de 3.000 solicitantes de refúgio e cerca de 4.300 refugiados vivem no Brasil. A maioria vem da Colômbia, da República Democrática do Congo e da Síria.
O ACNUR tem feito um apelo para que governos concedam admissões humanitárias para até 10 mil refugiados sírios este ano. A admissão humanitária é um processo acelerado que pode fornecer uma solução imediata para os mais necessitados, no momento em que um programa de reassentamento está em estágio inicial de implementação. A admissão humanitária também permite vagas adicionais fora das quotas anuais de reassentamento dos países.
Até o momento, a Alemanha ofereceu 5.000 vagas para admissão humanitária dos refugiados sírios do Líbano, e a Áustria ofereceu 500. Diversos outros países propuseram o reassentamento, incluindo Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Espanha, Suécia e Suíça.
Conforme dados atualizados até o dia 10 de setembro, esses países prometeram mais de 1.650 vagas de reassentamento, das quais 960 serão para 2013. Os Estados Unidos indicaram que estão dispostos a considerar
um número não especificado adicional de casos.
Fonte: www.acnur.org.br

CNBB divulga cartaz e subsídios da Campanha da Fraternidade 2014


Os subsídios da Campanha da Fraternidade 2014 já estão disponíveis nas Edições CNBB. São diversos materiais como o manual, texto base, via sacra, celebrações ecumênicas, folhetos quaresmais, CD e DVD, banner, cartaz, entre outros. Com o objetivo de trabalhar os conteúdos da campanha nas escolas, foram produzidos também subsídios de formação voltados aos jovens do ensino fundamental e médio, além de encontros catequéticos para crianças e adolescentes.
O cartaz da CF 2014, que se encontra disponível para download, traz o tema "Fraternidade e Tráfico Humano" e lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5, 1). Os demais produtos podem ser adquiridos no site: www.edicoescnbb.org.br ou pelo telefone: (61) 2193.3001.
Entenda o significado do cartaz:
1-O cartaz da Campanha da Fraternidade quer refletir a crueldade do tráfico humano. As mãos acorrentadas e estendidas simbolizam a situação de dominação e exploração dos irmãos e irmãs traficados e o seu sentimento de impotência perante os traficantes. A mão que sustenta as correntes representa a força coercitiva do tráfico, que explora vítimas que estão distantes de sua terra, de sua família e de sua gente.
2-Essa situação rompe com o projeto de vida na liberdade e na paz e viola a dignidade e os direitos do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. A sombra na parte superior do cartaz expressa as violações do tráfico humano, que ferem a fraternidade e a solidariedade, que empobrecem e desumanizam a sociedade.
3-As correntes rompidas e envoltas em luz revigoram a vida sofrida das pessoas dominadas por esse crime e apontam para a esperança de libertação do tráfico humano. Essa esperança se nutre da entrega total de Jesus Cristo na cruz para vencer as situações de morte e conceder a liberdade a todos. "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5, 1), especialmente os que sofrem com injustiças, como as presentes nas modalidades do tráfico humano, representadas pelas mãos na parte inferior.
4-A maioria das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de grande vulnerabilidade. As redes criminosas do tráfico valem-se dessa condição, que facilita o aliciamento com enganosas promessas de vida mais digna. Uma vez nas mãos dos traficantes, mulheres, homens e crianças, adolescentes e jovens são explorados em atividades contra a própria vontade e por meios violentos. (Fonte: CF 2014).
Fonte: www.cnbb.org.br
            Brasil entra na rota dos destinos de refugiados

Adital
Foto:unhcr.orgDepois dos haitianos, são os sírios que acabaram de descobrir no Brasil uma alternativa de refúgio com objetivos humanitários. Há cerca de 10 anos, era impensável para a sociedade brasileira que o país entrasse na rota dos destinos de estrangeiros que fogem de seus países de origem por motivos diversos, como a destruição por catástrofes naturais e conflitos armados. A estabilidade econômica e a posição política de destaque que o Brasil tem ganhado no cenário internacional parece ser um dos principais motivos para o crescimento dessa procura.
A organização não governamental Conectas Direitos Humanos alertou recentemente para a iminência de uma crise humanitária envolvendo os refugiados haitianos que chegam ao Brasil pelo Estado do Acre (região Norte), muito deles ilegais, o que provoca um questionamento: o país tem pernas para receber tantos refugiados? Para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) do Brasil parece que sim. Este último, que é um órgão do Ministério da Justiça, publicou esta semana no Diário Oficial da União uma norma que garante a concessão de visto especial a pessoas afetadas pelos conflitos armados na Síria e países vizinhos. O visto especial é estendido também à família das pessoas deslocadas.

"A decisão vai ajudar a acelerar a entrada dessas pessoas no Brasil e a resolução que permite esse procedimento especial seja válido por dois anos", disse em Genebra o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards. De acordo com a medida, as embaixadas e consulados do Brasil nos países vizinhos à Síria serão responsáveis pela emissão de vistos. Os pedidos de refúgio deverão ser apresentados no momento da chegada ao Brasil, primeiro país na região das Américas a adotar essa abordagem em relação aos refugiados sírios. Estima-se que 3 milhões de brasileiros têm ascendência síria, tendo em vista uma onda de imigração que ocorreu no início do século 20.

Até agora, cerca de 280 sírios solicitaram refúgio ao Conare. Não há solicitações de refúgio pendentes, e o Brasil aprovou 100% dos pedidos apresentados. De acordo
com o Ministério da Justiça, o número tem aumentado gradualmente. No caso do Haiti, a Conectas também informou que o Brasil já havia parado de conceder vistos humanitários em abril deste ano, o que, de certa forma, vem estimulando travessias ilegais e arriscadas da fronteira brasileira. O governo brasileiro havia prometido autorizar 1.200 vistos humanitários por ano aos haitianos.
Atualmente, cerca de 3 mil solicitantes de refúgio e cerca de 4,3 mil refugiados vivem no Brasil. A maioria vem da Colômbia, da República Democrática do Congo e da Síria. O ACNUR tem feito um apelo para que os governos concedam admissões humanitárias para até 10 mil refugiados sírios este ano. Até o momento, a Alemanha ofereceu 5 mil vagas e a Áustria ofereceu 500. Outros países propuseram o reassentamento, incluindo Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Espanha, Suécia e Suíça.

A crise humanitária causada pela guerra civil síria já expulsou cerca de 2 milhões de pessoas.

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=77865&grv=N

sexta-feira, 27 de setembro de 2013


A PASTORAL DOS MIGRANTES, COMITÊ PARA REFUGIADOS E MIGRANTES DO ESTADO DO PARANÁ
CÁTEDRA SERGIO VIEIRA DE MELO

convidam para o lançamento do livro
Haiti por si: a reconquista da independência roubada
Organização: Adriana Santiago
Adital - Agência de Informação Frei Tito para América Latina
Local:
Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná
(UFPR), Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD)
Endereço: Praça Santos Andrade, nº 50, 3º andar - Curitiba -PR

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Haiti por sia reconquista da independência roubada
livro resgata história de luta e soberania do povo haitiano

Fruto de um trabalho de 18 meses, o livro “Haiti por si: a reconquista da independência roubada” materializa um ideal da Agência de Informação Frei Tito para América Latina (www.adital.com.br) de mostrar ao mundo e, principalmente, aos haitianos, um Haiti feito pelos próprios habitantes do país mais pobre das Américas. Prefaciado pelo Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e com contribuição de Frei Betto, o livro-reportagem é o resultado de um extenso processo de pesquisas e entrevistas, que juntou jornalistas e colaboradores brasileiros, haitianos e de outras nacionalidades na tarefa de resgatar o sonho de soberania que ainda existe no país e em seu povo, mesmo depois de séculos de exploração e submissão aos interesses das potências capitalistas. O livro será lançado no dia 01 DE OUTUBRO   Local: Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná
(UFPR), Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) 
Endereço: Praça Santos Andrade, nº 50, 3º andar - Curitiba -PR
 
Como afirma a editora e organizadora do livro, a jornalista brasileira Adriana Santiago, “Haiti por si” é ao mesmo tempo um ideal e um atrevimento: “escrever uma reportagem que mostrasse uma perspectiva para uma nação que não é a sua”. Esse foi o desafio que a Adital, agência de notícias que há mais de 10 anos dá espaço às manifestações dos movimentos sociais de toda a América Latina via Internet, colocou para a equipe de profissionais que se comprometeu com a tarefa. No final, todo o esforço rendeu 190 páginas, em que o intuito, por meio de um visual moderno e colorido, é mostrar que o Haiti é muito mais do que o cenário de catástrofe que a grande mídia mostra todos os dias.

A Adital, nas pessoas do seu diretor executivo, Ermanno Allegri, e da jornalista Adriana Santiago, fizeram visitas ao Haiti onde puderam colher in loco material por meio de entrevistas e fotografias. Fundamental foi contar com a contribuição de jornalistas haitianos que, mais do que ninguém, podem falar o que se passa em sua terra.

“Haiti por si” está dividido em seis capítulos: História, Reconstrução, Economia Solidária, Soberania Alimentar, Cultura e Democracia Participativa. Essas seis linhas de investigação partiram de propostas dadas pelos próprios movimentos sociais haitianos e são eixos que já norteiam as ações de muitos deles. No capítulo sobre história, Woody Edson Louidor, chama a atenção para as raízes ancestrais da aparente subserviência, do excesso de exploração e a origem da força do haitiano. Phares Jerôme traz no capítulo da reconstrução, os processos de refundação e tenta explicar como é importante ir muito além de elevar paredes de concreto.

Ao falar no capítulo de economia solidária, Jerôme mostra ainda que é necessária uma integração econômica voltada para a emancipação do país em relação às ajudas internacionais, com saídas locais e reforma da cidadania. No capítulo sobre soberania alimentar Jerôme mostra que a agricultura familiar é a saída para a subsistência do país e a retomada das exportações. Nélio Joseph trabalha com a cultura e defende que esta é a grande vitrine que vai elevar o Haiti em sua soberania e autoestima, pois seja na música, na pintura, no artesanato, na literatura, a cultura é o único ambiente onde o Haiti é competitivo no plano internacional.
Por fim, no capítulo sobre democracia participativa foram colocadas por Adriana Santiago, Benedito Teixeira e Ana Paola Vasconcelos questões mais políticas, que atravancam o desenvolvimento do País, destacando algumas alternativas para os impasses.

Como afirma Ermanno Allegri: “No meio de mil dificuldades, está acontecendo o que Toussaint Louverture (o precursor da independência haitiana) disse em 1802 ao ser capturado e deportado pelos franceses: ‘Vocês me derrubaram, mas só cortaram o tronco da liberdade dos negros. Ela brotará de novo porque suas raízes são muitas e profundas’”.

SERVIÇO
Preço: R$ 25,00
Vendas através do site www.adital.com.br/haitiporsi
LIVRARIAS SARAIVA (em todo o Brasil)
LIVRARIAS CULTURA (em todo o Brasil)
CONTATO: PASTORAL DOS MIGRANTES - 32720466

Missa e almoço com haitianos em Londrina- PR


Fonte Caritas de Londrina

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Festa dos motoristas em Umbará, Curitiba- Pr

No próximo dia 06 de outubro a Paróquia São Pedro, Umbará, celebrará sua clássica Festa dos Motoristas sob a proteção de São Cristóvão e Nossa Senhora Aparecida.
Marcada por longa tradição, se não antes, ao menos desde a metade do século passado, a Festa dos Motoristas na Paróquia São Pedro-Umbará quer continuar sendo uma oportunidade de crescimento na consciência e na responsabilidade de conduzir veículos automotores, assim como outros meios de transporte, e igualmente ocasião de comunhão na prece rogando ao Senhor mercê e proteção para todos os motoristas diante da imprevisibilidade dos movimentos da vida, especialmente de quem vive as vicissitudes desta profissão.
Celebrizado e enaltecido por suplantar distâncias, aproximar pessoas e facilitar serviços, já vai longe o tempo em que o automóvel, em todas as suas versões, figurava como demonstração de beleza e distinção. A realidade do trânsito moderno denota agudo momento de preocupação, estresse e agressividade. São inúmeros os artefatos mecânicos que entrecruzam estradas e espíritos.
O horizonte moderno vive ofuscado por semáforos, pontes estaiadas, viadutos, trincheiras e radares. Tudo é repetitivo; um eterno fazer o mesmo. Não sem razão, o romancista tcheco Milan Kundera insiste na urgente necessidade de resgatar o sentido dos caminhos. Para ele, a estrada diferencia-se do caminho não só porque a percorremos de carro, mas porque é uma simples linha ligando um ponto a outro. O caminho, por sua vez, é uma homenagem ao espaço. Assim que, cada trecho do caminho tem um sentido próprio convidando-nos graciosamente a parar.
Sob a égide das máquinas e dos eletrônicos amargamos tempos lineares e formais. Até porque, antes mesmo de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana. A vontade de caminhar – e de ter prazer nisso – parece inexistir no âmago do ser humano hodierno. Sua vida também, ele não a vê mais como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha que leva de um ponto a outro, da condição de simples cidadão ao ambicionado cargo público acalentado, do posto de capitão ao comando de general, do estado de esposo(a) ao estado de viúvo(a), da etapa jovem à idade adulta, da categoria de estudante ao mundo profissional. Por tal motivo, a estrada não passa de uma triunfal desvalorização do espaço e do tempo das coisas e das pessoas.
De todo modo, para nós, estar no e em trânsito significa promover a comunicação entre as pessoas e garantir as condições de sustentação da vida. Então, venha celebrar, participar e festejar conosco mais esta etapa do nosso caminho!
Pe. Miguel Longhi, cs
Pároco



Missão Scalabriniana em Ponta Porã- MS

Com alegria e entusiasmo missionário, aconteceu entre os dias 15 e 21 de setembro a Missão Scalabriniana na paróquia scalabriniana Divino Espírito Santo, na cidade de Ponta Porã-MS. A equipe missionária composta por cerca de 20 missionários, entre padres, irmãs, noviços e leigos scalabrinianos, além da equipe de apoio com leigos e leigas do local que colaboraram na preparação das refeições.
A cidade de Ponta Porã faz “divisa seca” com a cidade paraguaia de Pedro Juan Cavallero. Esta característica traduz uma realidade particular de mobilidade humana para a vida social local. Por ser um lugar de grande transitoriedade, algumas conseqüências são visíveis, como o drama de famílias com pessoas presas por tráfico de drogas.
O noviço Eduardo Gabriel, questionado sobre esta situação, partilhou um pouco de sua experiência: “Nas visitas às famílias encontramos inúmeras situações desta. Nas visitas aos colégios encontramos a convivência comum em sala de aula entre crianças que moram no Paraguai e no Brasil. Nas comunidades visitadas celebramos missas em casas de família. Nas igrejas das comunidades Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosa de Lima fizemos duas bonitas celebrações da luz”.
A experiência missionária e a presença desses missionários e missionárias em Ponta Porã foi um reviver do carisma da Congregação Scalabriniana: ir ao encontro do Cristo Peregrino vivo nos irmãos e irmãs migrantes, como ensinou o fundador da Congregação, João Batista Scalabrini.
por Eduardo Gabriel, dia 26/09/2013 as 17:36
Foto: Eduardo Gabriel


Tem Quermesse na prainha de 30 de setembro à 05 de outubro. 
                           Você vem??


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Divulgada mensagem para o 100º Dia Mundial do Migrante e Refugiado

Migrantes e RefugiadosA primeira mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, a ser celebrado em 19 de janeiro de 2014, intitula-se: “Migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”. Em 2014, o Dia Mundial do Migrante e Refugiado celebrará sua centésima edição. A data foi criada pelo papa Pio X, em 1914. O foi texto apresentado hoje, 24, pelo presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, cardeal Antônio Maria Vegliò. 
Segue, na íntegra, a 100ª Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado. 

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO 
PARA O DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO (2014)
“Migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”

Queridos irmãos e irmãs!
As nossas sociedades estão enfrentando, como nunca antes na história, processos de interdependência mútua e interação em um nível global, que, mesmo incluindo elementos problemáticos ou negativos, se destinam a melhorar as condições de vida da família humana, não só nos aspectos econômicos, mas também nos aspectos políticos e culturais. Cada pessoa, afinal, pertence à humanidade e partilha a esperança de um futuro melhor com toda a família dos povos. A partir dessa constatação, nasce o tema que escolhi para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados deste ano: “Os migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”.
Entre os resultados das mudanças modernas, o fenômeno crescente da mobilidade humana emerge como um “sinal dos tempos”, como o definiu o Papa Bento XVI (cf. Mensagem para o Dia Mundial do migrante e do refugiado de 2006). Se por um lado, as migrações muitas vezes denunciam fragilidades e lacunas nos Estados e na Comunidade internacional, por outro, revelam a aspiração da humanidade de viver a unidade, no respeito às diferenças; de viver o acolhimento e a hospitalidade, que permitem a partilha equitativa dos bens da terra; de viver a proteção e a promoção da dignidade humana e da centralidade de cada ser humano.
Do ponto de vista cristão, como em outras realidades humanas também nos fenômenos migratórios se observa a tensão entre a beleza da criação, marcada pela Graça e pela Redenção, e o mistério do pecado. A solidariedade e o acolhimento, os gestos fraternos e de compreensão, veem-se contrapostos à rejeição, discriminação, aos tráficos de exploração, de dor e de morte. Um motivo de preocupação são, principalmente, as situações em que a migração não só é forçada, mas também realizada através de várias modalidades de tráfico humano e de escravidão. O “trabalho escravo” é hoje uma moeda corrente! No entanto, apesar dos problemas, dos riscos e das dificuldades que devem ser enfrentados, aquilo que anima muitos migrantes e refugiados é o binômio confiança e esperança: eles trazem em seus corações o desejo de um futuro melhor não só para si mesmos, mas também para as suas famílias e para os entes queridos.
O que significa a criação de um “mundo melhor”? Esta expressão não se refere ingenuamente a conceitos abstratos ou a realidades inatingíveis, mas se dirige à busca de um desenvolvimento autêntico e integral, para poder agir de tal modo que haja condições de vida digna para todos, para que se encontrem respostas justas às necessidades dos indivíduos e das famílias, para que seja respeitada, preservada e cultivada a criação que Deus nos deu. O Venerável Papa Paulo VI descrevia com estas palavras as aspirações dos homens de hoje: «ser liberado da pobreza, ter garantido de um modo seguro o próprio sustento, a saúde, o emprego estável, ter uma maior participação nas responsabilidades, fora de qualquer opressão e ao protegido de condições que ofendem a dignidade humana; poder desfrutar de uma educação melhor; em uma palavra, fazer conhecer e ter mais, para ser mais "(Encíclica Populorum Progressio, 26 de março de 1967, n. 6).
O nosso coração quer um “mais” que não seja simplesmente conhecer mais ou ter mais, mas que seja essencialmente um ser mais. Não se pode reduzir o desenvolvimento a um mero crescimento econômico, alcançado, muitas vezes, sem tem em conta os mais fracos e indefesos. O mundo só pode melhorar se a atenção é dirigida, em primeiro lugar, à pessoa; se a promoção da pessoa é integral, em todas as suas dimensões, inclusive a espiritual; se não se deixa ninguém de lado, incluindo os pobres, os doentes, os encarcerados, os necessitados, os estrangeiros (cf. Mt 25, 31-46); caso se passe de uma cultura do descartável para uma cultura do encontro e do acolhimento.
Os migrantes e refugiados não são peões no tabuleiro de xadrez da humanidade. Trata-se de crianças, mulheres e homens que deixam ou são forçados a abandonar suas casas por vários motivos, que compartilham o mesmo desejo legítimo de conhecer, de ter, mas, acima de tudo, de ser mais. É impressionante o número de pessoas que migram de um continente para outro, bem como aqueles que se deslocam dentro de seus próprios países e áreas geográficas. Os fluxos migratórios contemporâneos são o maior movimento de pessoas, se não de povos, de todos os tempos. No caminho, ao lado dos migrantes e refugiados, a Igreja se esforça para compreender as causas que estão na origem das migrações, mas também se esforça no trabalho para superar os efeitos negativos e aumentar os impactos positivos nas comunidades de origem, de trânsito e de destino dos fluxos migratórios.
Infelizmente, enquanto incentivamos o desenvolvimento em vista de um mundo melhor, não podemos silenciar o escândalo da pobreza nas suas várias dimensões. Violência, exploração, discriminação, marginalização, abordagens restritivas às liberdades fundamentais, tanto para o indivíduo quanto para grupos, são alguns dos principais elementos da pobreza que devem ser superados. Muitas vezes, são justamente esses aspectos que caracterizam os movimentos migratórios, ligando migração e pobreza. Fugindo de situações de miséria ou de perseguição em vista de melhores perspectivas ou para salvar a sua vida, milhões de pessoas embarcam no caminho da migração e, enquanto esperam encontrar a satisfação das expectativas, muitas vezes o que encontram é suspeita, fechamento e exclusão; quando não são golpeados por outros infortúnios, muitas vezes, mais graves e que ferem a sua dignidade humana.
A realidade das migrações, com as dimensões que assume na nossa época de globalização, precisa ser tratada e gerida de uma maneira nova, justa e eficaz, o que exige, acima de tudo, uma cooperação internacional e um espírito de profunda solidariedade e compaixão. É importante a colaboração em vários níveis, com a adoção unânime de instrumentos de regulamentação para proteger e promover a pessoa humana. O Papa Bento XVI nos traçou as coordenadas, afirmando que «esta política há de ser desenvolvida a partir de uma estreita colaboração entre os países donde partem os emigrantes e os países de chegada; há de ser acompanhada por adequadas normativas internacionais capazes de harmonizar os diversos sistemas legislativos, na perspectiva de salvaguardar as exigências e os direitos das pessoas e das famílias emigradas e, ao mesmo tempo, os das sociedades de chegada dos próprios emigrantes» (Carta Encíclica Caritas in veritate, 19 de Junho de 2009, 62). Trabalhar juntos por um mundo melhor requer a ajuda mútua entre os países, com abertura e confiança, sem levantar barreiras intransponíveis. Uma boa sinergia pode ser um incentivo para os governantes enfrentarem os desequilíbrios socioeconômicos e uma globalização sem regras, que se encontram entre as causas das migrações em que as pessoas são mais vítimas do que protagonistas. Nenhum país pode enfrentar sozinho as dificuldades associadas a esse fenômeno que, sendo tão amplo, já afeta todos os Continentes com o seu duplo movimento de imigração e emigração.
É também importante ressaltar como essa colaboração já começa com o esforço que cada país deveria fazer para criar melhores condições econômicas e sociais no seu próprio território, para que a emigração não seja a única opção para aqueles que buscam a paz, a justiça, a segurança e o pleno respeito da dignidade humana. Criar oportunidades de emprego nas economias locais impediria, para além do mais, a separação das famílias e garantiria condições de estabilidade e de serenidade para os indivíduos e comunidades.
Finalmente, olhando para a realidade dos migrantes e refugiados, há um terceiro elemento que eu gostaria de destacar neste caminho de construção de um mundo melhor: a superação de preconceitos e de pré-compreensões, ao considerar a migração. De fato, não é raro que a chegada de migrantes, prófugos, requerentes de asilo e refugiados desperte desconfiança e hostilidade nas populações locais. Surge o medo que se produzam perturbações na segurança social, que se corra o risco de perder a identidade e a cultura, que se alimente a concorrência no mercado de trabalho ou, ainda, que se introduzam novos fatores de criminalidade. Os meios de comunicação social, neste campo, têm um papel de grande responsabilidade: cabe a eles, de fato, desmascarar estereótipos e fornecer informações corretas, o que significará denunciar o erro de alguns, mas também descrever a honestidade, a retidão e a magnanimidade da maioria. Para isso, é preciso que todos mudem a atitude em relação aos migrantes e refugiados; é necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização - que, no final, corresponde precisamente à “cultura do descartável” – para uma atitude que tem por base a “cultura do encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor. Os meios de comunicação também são chamados a entrar nesta “conversão de atitudes” e a incentivar esta mudança de comportamento em relação aos imigrantes e refugiados.
Penso como também a Sagrada Família de Nazaré teve que viver a experiência de rejeição no início do seu caminho: Maria «deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar na hospedaria» (Lc 2,7). Além disso, Jesus, Maria e José experimentaram o que significa deixar sua terra natal e ser migrantes: ameaçados pela sede de poder de Herodes, foram forçados a fugir e buscar refúgio no Egito (cf. Mt 2,13-14). Mas o coração materno de Maria e o coração zeloso de José, Protetor da Sagrada Família, sempre mantiveram a confiança de que Deus nunca abandona. Pela intercessão deles possa ser sempre firme no coração do migrante e do refugiado esta mesma certeza.
A Igreja, respondendo ao mandato de Cristo: «Ide e fazei discípulos entre todos as nações», é chamada a ser o Povo de Deus que abraça todos os povos, e leva a todos os povos o anúncio do Evangelho, pois no rosto de cada pessoa está estampado o rosto de Cristo! Eis a raiz mais profunda da dignidade do ser humano que deve ser sempre respeitada e protegida. Não são os critérios de eficiência, produtividade, de classe social, de pertença étnica ou religiosa que fundamentam a dignidade da pessoa, mas sim o fato de ser criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26-27), e, ainda mais, o fato de ser filhos de Deus; todo ser humano é um filho de Deus! Nele está impressa a imagem de Cristo! Trata-se, então, de o vermos, nós, em primeiro lugar, e de ajudar os outros a verem no migrante e no refugiado não só um problema para lidar, mas um irmão e uma irmã a serem acolhidos, respeitados e amados; trata-se de uma oportunidade que a Providência nos oferece para contribuir na construção de uma sociedade mais justa, de uma democracia mais completa, de um país mais inclusivo, de um mundo mais fraterno e de uma comunidade cristã mais aberta, de acordo com o Evangelho. As migrações podem criar possibilidades para a nova evangelização; abrir espaços para o crescimento de uma nova humanidade, preanunciada no mistério pascal: uma humanidade em que toda terra estrangeira é uma pátria, e em que toda pátria é uma terra estrangeira.
Queridos migrantes e refugiados! Não percais a esperança de que também a vós está reservado um futuro mais seguro; Que possais encontrar em vossos caminhos uma mão estendida; que vos seja permitido experimentar a solidariedade fraterna e o calor da amizade! Para todos vós e para aqueles que dedicam suas vidas e suas energias ao vosso lado eu prometo a minha oração e concedo de coração a minha Bênção Apostólica.
Cidade do Vaticano, 05 de agosto de 2013.
FRANCISCO
Imagem: Rádio Vaticano Brasil. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

IV Seminário Nacional da Cátedra Sérgio Vieira de Mello - CONVITE

Estão abertas as inscrições para o IV Seminário Nacional Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que será realizado nos dias 30 de setembro e 1° de outubro na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com apoio da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Comitê Estadual para Refugiados e Migrantes do Paraná (CERM/PR), CAPES e Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos(SEJU) por meio do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania (DEDIHC).

Com o tema “Deslocamentos Forçados, Fronteira e Políticas Migratórias”, o Seminário é direcionado à comunidade acadêmica e outros públicos interessados em questões como direito internacional e legislação brasileira sobre refúgio e apatridia, assim como integração local e políticas públicas para a população refugiada no Brasil.

As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas pelo site  http://www.ppgd.ufpr.br onde está disponível a programação do evento. O seminário terá a presença de especialistas, gestores públicos e professores universitários.  

Clique AQUI ver a Programação.

cartaz catedra

Cátedra Sérgio Vieira de Mello 
O ACNUR iniciou a implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) em 2003, em toda a América Latina, com o objetivo de incentivar à pesquisa e a produção acadêmica relacionada ao Direito Internacional dos Refugiados e promover o ensino e a difusão desta doutrina em centro universitários, em conjunto com governos, universidades e outras organizações internacionais.

Além de difundir o Direito dos Internacional dos Refugiados, a Cátedra também promove a formação acadêmica e a capacitação de professores e estudantes neste tema.

A Cátedra, como seu nome indica, é uma homenagem ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto no Iraque naquele mesmo ano e que dedicou grande parte da sua carreira profissional nas Nações Unidas ao trabalho com refugiados, como funcionário do ACNUR.
No Brasil, a CSVM foi incorporada por diversas universidades: públicas, privadas, confessionais e leigas. Nos últimos anos, as instituições associadas têm apresentado resultados concretos do seu envolvimento com a causa dos refugiados, tanto no plano acadêmico como em aspectos de integração desta população.

O ACNUR e a comunidade acadêmica brasileira acreditam que as universidades devem funcionar como centros de excelência para a produção e disseminação do conhecimento da Proteção Internacional da Pessoa Humana, servindo também como espaços de apoio à proteção e integração dos homens, mulheres e crianças que foram forçados a abandonar seus lares e reconstruir suas vidas em outro país.
De acordo com o Representante do ACNUR no Brasil, Andres Ramires, “ a Cátedra é parte da estratégia da organização para garantir a proteção e a integração dos refugiados que buscam reconstruir suas vidas no país”.

Refugiados no Brasil
O número de estrangeiros que solicitam refúgio no Brasil mais que triplicou em 2012 em comparação com 2010, revelam estatísticas consolidadas neste mês pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE),

Atualmente, o país tem 4.336 refugiados – de 76 nacionalidade distintas - reconhecidos pelo governo brasileiro. Angola, Colômbia, República Democrática do Congo, Iraque, Libéria e Síria são os principais países de origem desses indivíduos.
Segundo Ramirez, o principal motivo para a busca de refúgio em outros países são as guerras e conflitos armados. Para o representante do Acnur, entretanto, essa é uma tendência que deve se alterar nos próximos anos. “Acreditamos que as mudanças climáticas e os desastres naturais deverão se tornar, cada vez mais, motivo para a busca de refúgio”, afirma o representante do Acnur.
Por: Silvia Cristina Trauczynski/DEDIHC-SEJU 

SERVIÇO:

IV Seminário Nacional Cátedra Sérgio Vieira de Mello
Tema: Deslocamentos Forçados, Fronteira e Políticas Migratórias
Data: 30/09 e 01/10
Hora: das 8h30 às 18h
Local: Faculdade de Direito da UFPR - Praça Santos Andrade, PPGD 3° Andar – Curitiba/PR
inscrições gratuitas pelo site  http://www.ppgd.ufpr.br
Fonte: Departamento de Direitos Humanos e Cidadania - DEDIHC


Haitiano é morto em Campo Largo - PR

Foto: Antônio Nascimento / Banda B
O haitiano Emanes Saint Louis, de 22 anos, pode ter sido executado na madrugada de domingo (22) em uma casa na Vila Operária, em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, por ter mexido com a ex-mulher do homem com quem dividia casa. Em entrevista nesta segunda-feira (23) o superintendente Job de Freitas, de Campo Largo, afirmou que não há dúvidas que o crime teve motivação sexual, até pelo pênis da vítima ter sido colocado em sua boca depois de ser cortado.

Segundo o superintendente, mais de uma pessoa participou da execução brutal. "O Emanes era um rapaz alto e forte e estava com as mãos amarradas. Além disto teve o pênis decepado de uma forma em que pelo menos mais duas pessoas estavam lá na hora. Consideramos praticamente uma bronca morta, com o autor identificado", concluiu.

Haitianos amigos da vítima estão sendo ouvidos e nos próximos dias medidas como decretação de prisões, entre outras coisas, devem ser tomadas.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


VEM AÍ A 11ª FESTA LATINO AMERICANA
 EM CURITIBA-PR
REALIZAÇÃO PASTORAL DO MIGRANTE
PARTICIPEM!!!


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Um pedaço da África em Passo Fundo - RS
Mais de 100 pedidos de refúgio de africanos já foram encaminhados em Passo Fundo e novos grupos estão se programando para vir para a cidade em busca de emprego. Albergue municipal lotado preocupa o município e Polícia Federal estuda conter o refúgio enquanto não se resolverem todos os processos.

Emprego e renda. Foi buscando uma vida melhor que muitos africanos, principalmente vindo de Senegal, chegaram a Passo Fundo nos últimos tempos. Ao todo, 100 pedidos de refúgio foram aprovados na cidade e outros tantos estão em tramitação, enquanto isso, um grande problema social começa a aparecer e sem recursos financeiros, acabam precisando de colaboração do poder público municipal.
Conforme o Delegado Mauro Vinícius Soares de Morais, da Delegacia de Passo Fundo da Policia Federal, na semana passada um grupo de 15 pessoas chegou a cidade em busca de refúgio, o que em razão de ser um grupo grande acabou gerando dificuldade de acomodação. “Pela quantidade de pedidos de refúgio tão elevada, exacerbou a capacidade de receber em Passo Fundo novos estrangeiros”, afirma ele.



(Mais de 100 pedidos de refúgio foram expedidos para senegaleses na cidade / FOTO ALESSANDRA PASINATO)

Direito Internacional
Morais explica que o refúgio é instituído pelo direito internacional e facilita às pessoas com problemas de ordem ou perigo de vida de solicitar estado de refúgio em outros países. “Acontece que em Passo Fundo vieram alguns africanos que acabaram sendo bem acolhidos e se inserindo no mercado de trabalho, se comunicando eles informaram o estado e outros acabaram vindo”, considera ele, apontando que muitos indicam o local onde estão, esperando os conterrâneos. “Uma coisa é atender e abrigar pouca gente, outra é ter atendimento a mais pessoas”, pontua.

(Mamur e a filha de dois anos, nascida em Passo Fundo / FOTO ALESSANDRA PASINATO)

O delegado explica ainda que quando chegam na cidade, os africanos estão ilegais, mas que com o pedido de refúgio deixam o estado ilegal. “O Comitê Internacional de Refugiados prevê de dois a três anos para permanecer na cidade, mas nesse período pode alterar a situação do país e o refugiado tem que retornar”, observa. Para ele, a situação preocupa. “Eles estão aqui, são seres humanos com fome e pouca roupa e temos que apoiar de alguma forma. Por outro lado, não se pode desassistir a população local”, considera.
Em Passo Fundo
Há quatro anos Mamur Ndiaye deixou a África e veio para Passo Fundo. Era 2009 e ele veio sozinho para tentar a vida. Seis meses depois trouxe a mulher e, hoje, tem uma filha de dois anos que nasceu no Brasil. Mamur contribui com os conterrâneos que chegam a terra desconhecida, principalmente na comunicação falada, já que a maior parte dos africanos se comunica em inglês ou francês e não entende o português.
Segundo ele, todos os senegaleses que vieram a Passo Fundo estão trabalhando, apenas aqueles que vieram na última semana que ainda estão sem documentação. “Eles tem esse problema agora, porque a Polícia Federal não tem mais vaga até dezembro. É difícil, eles estão sem dinheiro, imagina se a pessoa não trabalha um mês, dois meses, não tem como” frisa ele.
Mamur também destaca que todos os senegaleses que estão na cidade são muçulmanos. “Somos comunidade de senegaleses muçulmanos, mas muçulmanos no sentido de paz. Todo mundo pensa em terrorismo, por ser um reagrupamento, mas para a religião, os praticantes, são da paz”, explica, destacando: “Esse povo que chegou aqui na cidade estão em busca de trabalho. Precisamos de ajuda, mas não estamos pedindo comida e casa, queremos os documentos para poder arrumar emprego. A cidade tem necessidade de serviço, precisam de mão de obra e estamos aqui para trabalhar honestamente. Não queremos comida e casa, com nossas mãos vamos conseguir tudo isso, se Deus quiser, mas a parte administrativa que pedimos ajuda, o problema de documento, de carteira de trabalho para agilizar o mais rápido possível”, diz o senegalês.

(Mesmo estando há quatro anos no Brasil, Mamur preserva hábitos, como a vestimenta / FOTO ALESSANDRA PASINATO)

Acolhidos

Conforme a secretária de Cidadania e Assistência Social, Neli Formigueri, o grupo de africanos foi acolhido entre quinta e sexta-feira em Passo Fundo, onde 17 procuraram a secretaria em busca de auxílio e 15 deles estão abrigados no albergue municipal. “Fizemos o que o município tem que fazer com pessoas em situação de vulnerabilidade social. Eles vieram e o que nos interessa é que estavam com fome, frio e sem local para ficarem. Alcançamos o que precisavam no momento”, justifica ela.
Segundo a secretária, a secretaria estará reunida hoje com a Polícia Federal, PGM, Comissão de Igualdade Racial e direção do albergue para uma conversa no sentido de regularizar a situação e encaminhar para uma solução. “Não podemos deixar eles no albergue. Precisam ser destinados para algum lugar. A reunião é para definir o que fazer. Até agora estão no albergue, tendo atendimento que é necessário para um ser humano, proporcionando aquilo que faria para qualquer cidadão passo-fundense”, conclui.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Santuário celebra Noite Nordestina com missa e jantar em Londrina - Paraná.

 Terça-feira, 10 de setembro
Com muita alegria e festa a Caritas Arquidiocesana e a Pastoral do Migrante promoveram uma Noite Nordestina no Santuário de Nossa Senhora Aparecida na noite de 31 de agosto. A proghrmação teve início com uma missa nordestina celebrada pelo Padre José Alves de Souza ,SAC pároco da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos (Shangri-lá), com a participação dos diáconos Evandro Delfino e José Renato Pavanato.
No inicio da celebração o Grupo de adolescentes Rocha da Salvação distribuiu uma cafezinho para a comunidade, Osvaldecir Plamagnani, integrante do ministério de musica Vozes de Maria, fez o ato penitencial ajoelhado diante do Altar. Após o Hino do Glória, uma família entrou na igreja ,com o pai empurrando uma carriola, a mãe e o filho mais velho carregando vasos de barro com água e dentro da carriola estava o filho mais novo, com a bíblia na mão, um pé de Mandacaru e uma arvore seca, simbolizando a seca e os fruto do nordeste brasileiro. A família foi recebida junto com a Bíblia no altar pelo padre.
Antes da homilia foi exibido um vídeo mostrando a realidade do nordeste e a fé do povo Nordestino.
 Após passar o vídeo o padre fez a seguinte explicação:
“São cenas reais e são cenas que se vivem ainda hoje, muitos irmãos e irmãs vivem nestas situações, na Pastoral do Migrante, nós nos deparamos constantemente com situações como estas, é só olhar as grandes construções que estão ai, as construções de shopping na maioria das vezes foi o povo nordestino que trabalhou e o pior é que quando acabam a construção mandam os trabalhadores embora, ai as pessoas tem que voltar ou buscar outra forma de sobreviver, no evangelho de hoje Jesus nos chama a atenção para as diversas formas de relacionamento entre nós, pedimos a Deus que nesta eucaristia nos abençoe e ajude a todos os nossos irmãos e ajude-nos a reconhecer o valor das pessoas e das diversas culturas”.
No momento mariano o diácono Evandro entrou com a imagem de Nossa Senhora, Mãe do Nordeste
A missa foi encerrada com uma musica nordestina de Luiz Gonzaga, Vida de Viajante.
Após a celebração da Eucaristia houve um Jantar com comidas do nordeste, entre elas o jabá na moranga. Em seguida, um momento de descontração com musicas nordestinas cantadas pelo Ministério Vozes de Maria.
A coordenadora da Caritas do Santuário, Marcia Ponce, comentou sobre a festa:
“Foi muito bom a gente conseguiu manter a tradição, a vários anos a gente vem realizando a noite nordestina antes já com a pastoral do imigrante, já tinha os jantares que era da semana do migrantes, que a gente transformou em noite nordestina, e já tem alguns tempo que a gente vem realizando, tivemos pouco tempo para trabalhar e organizar, mas mesmo assim houve uma participação não só da comunidade do santuário mas também de outras paróquias, pois a Cáritas trabalha em conjunto com outras pastorais da igreja, pois temos projetos sociais e também para arrecadar recursos, o recurso arrecadado será destinados aos projetos sociais da Cáritas da Arquidiocese de Londrina.” afirmou Marcia.
E ainda explicou o destino dos recursos arrecadados na Festa: “A gente tem vários projetos de bairro no Cinco Conjuntos, no Santa Fé, na Vila Fraternidade e também a gente acompanha e apoia vários projetos de entidades ligadas a igreja, pastorais, movimentos e a gente também faz este acompanhamento estes recursos também são pra isso, para motivar, para fomentar, para ajudar os pequenos grupos a se organizarem, então todas as arrecadações, é para investir em formações nas comunidades com projetos, este recurso vai retornar para as a comunidades também.”.
Os adolescentes do Grupo Rocha da Salvação trabalharam muito bem na organização da Noite Nordestina servindo toda a comunidade.

A Paróquia São Pedro, Umbará - Curitiba em expansão populacional

Antônio More/ Gazeta do Povo / Imóveis do Minha Casa Minha Vida estão distribuídos em cinco conjuntos. Famílias devem chegar ao local no fim deste mêsImóveis do Minha Casa Minha Vida estão distribuídos em cinco conjuntos. Famílias devem chegar ao local no fim deste mês
HABITAÇÃO
Prestes a receber mais 2,8 mil famílias, uma das regiões que mais cresceram na capital desafia a logística da ocupação habitacional
O bairro do Ganchinho, no extremo sul de Curitiba, demorou 300 anos para chegar até os 7 mil moradores, número computado pelo Censo de 2000. Na década seguinte, recebeu mais 4 mil habitantes e se tornou um dos bairros que mais cresceram na capital paranaense. É certo que o novo salto populacional será ainda mais breve, e com data definida: vai ocorrer a partir do final de agosto, quando 2,8 mil famílias participantes do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, receberão as chaves de seus imóveis, distribuídos em cinco conjuntos habitacionais construídos ao norte do bairro, próximo ao contorno leste.

O novo aporte de moradores à região, distante 20 quilômetros do Centro, demonstra que a mancha urbana está chegando aos limites geográficos da cidade. O Ganchinho, onde ainda é possível ver pinheiros em profusão e modos de vida quase rurais, é o retrato de uma Curitiba que já não cabe em si. Por isso, incorporar o bairro à dinâmica da cidade exige investimentos para além da construção das unidades, e o transporte é a demanda mais imediata.
Reflexos
Aumento populacional irá transformar o dia a dia da região
Teoricamente, no Ganchinho, cada morador dispõe de 557 m² de área verde – um cenário raro, mas que está prestes a sofrer transformações. O aumento populacional tende a avançar não apenas sobre as árvores, mas sobre o modo de vida que elas proporcionam.
Dos 11 mil moradores do bairro, mais de 90% estão no norte, entre a Rua Eduardo Pinto da Rocha e o Contorno Leste. Abaixo, a região é marcada pela Área de Proteção Ambiental do Rio Iguaçu mesclando-se a algumas dezenas de moradias às margens da Estrada do Ganchinho e da Rua Nicola Pellanda. Diferente do Bairro Novo, área para habitação popular destinada em lei, os conjuntos do Minha Casa Minha Vida no Ganchinho surgiram, pela disponibilidade dos terrenos. O tamanho dos empreendimentos devem atrair outros de padrão semelhante, dando uma nova cara ao bairro. O prognóstico é que o Ganchinho expanda para essa área até o limite legal da APA, alterando as características históricas do local. “O zoneamento é diversificado. Existe uma zona de serviços que acompanha o Contorno Leste”, explica Maria Cristina Trovão Santana, coordenadora de uso do solo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC).
Milton Maranho, 61 anos, nasceu e passou toda a vida em uma residência de madeira quase centenária na beira da Estrada do Ganchinho, e vê ao longe os primeiros prédios avançarem sobre a região. Mas sem remorso. “Se o povo viesse pra cá, seria bom. A gente monta um negócio e vai vender pra quem?”, diz o oleiro aposentado apontado as árvores em volta.
R$ 180 milhões
É o valor total dos investimentos no bairro Ganchinho, oriundos do programa Minha Casa Minha Vida.
Distância
O bairro está fora da zona de influência das vias estruturais e a conexão com a Linha Verde é igualmente dificultosa. A criação ou extensão de linhas de ônibus está sendo estudada pela prefeitura. A principal demanda virá do Parque Iguaçu, maior dentre os conjuntos a serem inaugurados, com 1,4 mil unidades. Além do tamanho, está localizado ao sul do contorno leste, via que costumava ser o limite informal da cidade. “O contorno era justamente para desviar da cidade, e agora estamos avançando para o outro lado dele”, lembra Carlos Hardt, coordenador do programa de pós-graduação em Gestão Urbana da PUCPR.
Os outros conjuntos, que ficam ao norte do contorno, se insinuam como um prolongamento do Bairro Novo e do Sítio Cercado. A ponta norte do Ganchinho se liga aos bairros vizinhos pela Rua Guaçuí, que se emenda à Tijucas do Sul. Inicialmente, os serviços públicos instalados no Bairro Novo devem servir aos novos habitantes do Ganchinho. São 15 escolas e creches, cinco hospitais e unidades de saúde e dois Armazéns da Família.
Segundo a prefeitura, há previsão de investimentos específicos para o Ganchinho, como creche, unidade de saúde, escola municipal e outra estadual. Na área do Parque Iguaçu, foram reservados 17 mil m² para a instalação de equipamentos públicos, mas a transferência do terreno ainda depende de acordo judicial.
Para Hardt, o bairro povoado precisa ter uma vida comunitária própria, baseada na descentralização de serviços. “Curitiba tem demonstrado bons exemplos de descentralização, com Ruas de Cidadania e outros serviços. No Ganchinho isso terá de ser ainda mais intenso”.
Conjuntos habitados dividem opiniões
Os novos moradores do Ganchinho foram definidos pela Cohab Curitiba conforme o cadastro na fila. Também foram beneficiadas famílias relocadas de áreas de risco da região sul (Ferrovila, Uberlândia, 23 e Agosto) e de outras partes da cidade, como Mossunguê, Cajuru e Atuba.
A autarquia municipal afirma que vai dar suporte à instalação das famílias pertencentes à faixa de renda mais baixa (até R$ 1,6 mil). Um trabalho que começa na mudança e se prolonga por seis meses, com orientações sobre a gestão do condomínio, estímulo à criação de vínculo com a moradia e a comunidade, além de fazer a ponte com os programas sociais e serviços públicos.
Dois conjuntos, totalizando 640 unidades, já foram habitados. Entregues entre o final de 2012 e o início deste ano, funcionam como uma espécie de laboratório. Passados alguns meses, os moradores afirmam estar se adaptando ao novo bairro. Apontam a falta de alguns serviços públicos, como creche, e reclamam do estilo de vida em apartamento. Para a maioria, é a primeira vez nesse tipo de imóvel.
“A região é boa, mas o apartamento é ruim. Não tem privacidade. Se pudesse, saía hoje”, afirma o operador de máquinas Antonio Marques Cadena, de 42 anos, vindo de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, após cinco anos na fila da Cohab.
Adriano Lira dos Santos, almoxarife de 28 anos, vive no Ganchinho desde 1993. Agora, mudou-se com a família para o Conjunto Araçá, deixando os fundos da casa da mãe. “Quando eu era criança não tinha nada aqui. Para fazer a 5.ª série, tinha que ir pra outro bairro. Hoje minha filha estuda em frente de casa”. Outra diferença percebida é a multiplicação do comércio e do transporte coletivo. “Espero que agora venham mais melhorias, e abram novas vias”.