sexta-feira, 14 de dezembro de 2012



Perde força movimento migratório à Região Metropolitana de Curitiba

         Publicada em setembro de 2012, vale a pena conferir.
Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios mostra que RMC chegou a perder 13 mil migrantes entre 2007 e 2011

A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foi o pedaço de terra que nas últimas décadas mais atraiu migrantes no estado do Paraná, em números absolutos. Apesar disso, a recém-divulgada Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), de 2011, mostrou uma leve redução no número de migrantes na região e que o índice de naturais (pessoas que moram no município onde nasceram) é de 51,33% – o maior porcentual desde o início da década passada.
De acordo com esses dados, a RMC perdeu 13 mil migrantes entre 2007 e 2011, tendência inversa à verificada nos primeiros sete anos da década – período em que a quantidade de não naturais saltou de 1,4 milhão para 1,6 milhão. Hoje, são 1,578 milhão.
Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Daniel Castellano/ Gazeta do Povo / Quase 60% da população da microrregião de Maringá é formada de pessoas não nascidas na cidadeAmpliar imagem
Quase 60% da população da microrregião de Maringá é formada de pessoas não nascidas na cidade
Destaque
Região de Maringá tem maior concentração proporcional de migrantes
A microrregião de Maringá é aquela com maior porcentual de não naturais, em termos proporcionais, entre as 39 microrregiões do Paraná, segundo dados do último Censo Demográfico de 2010. Naquele ano, 59,4% dos moradores da região do Norte Pioneiro (321 mil) disseram morar longe do seu município de origem.
Na segunda colocação aparece a microrregião de Toledo, com 57,3% (216 mil) de não naturais, seguida por Umuarama (55,5%), Cascavel (55,1%) e Cianorte (53,8%). Esses dados não levam em consideração, porém, o tempo de permanência na residência, informação que ajuda a explicar os deslocamentos migratórios.
Apesar de ter a maior concentração de migrantes em números absolutos, a Região Metropolitana de Curitiba tinha naquele ano 48% da sua população formada por não naturais e se posicionava na 15ª colocação no ranking porcentual. No total, a RMC, incluindo a capital paranaense, concentra 64% da população urbana do estado.
No total, os 26 municípios que compõem a RMC, incluindo a capital, têm pouco mais de 3,1 milhões de habitantes – 1,6 milhão natural do município e 1,5 milhão não natural. No Paraná, onde vivem mais de 10 milhões de pessoas, esses números são de 5,3 milhões vivendo na cidade onde nasceram e 5,2 milhões de migrantes – 3,4 milhões deles originários de migração dentro do próprio estado.
De acordo com especialistas em movimentos migratórios, ainda é cedo para falar se o ritmo de migração para a RMC está desacelerando – isso porque os dados da Pnad se baseiam apenas em uma amostra. “Mas a diminuição do estoque de pessoas não naturais pode estar relacionada à diminuição desse saldo. Eu diria, com mais tranquilidade, que observamos certa estabilidade, com pequena tendência à diminuição de não naturais”, diz Wilson Fusco, demógrafo da Fundação Joaquim Nabuco.
Fusco ressalta, porém, que a diminuição do número de migrantes na RMC também pode estar relacionada às taxas de natalidade e mortalidade. “A taxa de natalidade dos naturais pode estar maior que a dos não naturais e o inverso pode acontecer com a taxa de mortalidade”, argumenta.
Dados do último Censo Demográfico de 2010, porém, já mostraram a presença de mais pessoas vivendo nas suas cidades de nascença na região de Curitiba. De acordo com o levantamento, realizado em todos os municípios brasileiros e que ouviu os moradores de aproximadamente 58 milhões de domicílios, 52% dos moradores da RMC eram naturais das cidades onde viviam.
Fluxos migratórios
Segundo Anael Cintra, coordenador do Núcleo de Estudos Populacionais e Sociais do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), dados dos últimos censos demográficos indicam que o Paraná tem apresentado saldos migratórios menos negativos. “Já estão próximos do zero”, afirma o especialista, antes de ressaltar uma mudança nos movimentos demográficos brasileiros.
“Atualmente, em todo o país, os movimentos migratórios tendem a ser mais de curta distância e não tanto quanto aqueles dos anos 1960, 1970, nos quais, por exemplo, enormes fluxos de nordestinos abandonaram suas regiões em direção ao Sudeste brasileiro”, afirma Cintra.
De volta
Migração de retorno pode explicar predominância de naturais
Segundo especialistas em movimentos migratórios, o ditado “o bom filho à casa torna” pode ser outra explicação possível para o aumento de “naturais” na RMC. Esse é o caso do analista de Tecnologia da Informação Luiz Iurk, 27 anos. Curitibano, ele morou nos últimos cinco anos em cidades como Montevidéu, no Uruguai, e Porto Alegre, mas decidiu voltar às origens e não pretende mais sair da capital curitibana.
“Curitiba é tudo para mim, tenho raízes aqui. Nunca mais quero sair e o que tenho aqui não conseguiria em outros lugares”, diz Iurk, que neste ano voltou a trabalhar na área na qual se formou e realizou o sonho da casa própria.
O supervisor comercial Darlan de Farias, 32 anos, também experimentou a vida longe da sua terra natal, a Lapa, cidade de pouco mais de 44 mil habitantes, mas voltou após pouco mais de três anos vivendo em Dublin, na Irlanda.
Apesar de ter ido ao país apenas com a ideia de aprimorar o inglês e juntar dinheiro, o retorno de Farias à Lapa quase foi abortado pelo sucesso que vinha tendo no Reino Unido, onde de ajudante de cozinha virou chef de um restaurante. “O dono do local me premiou com um curso de culinária e eu já estava preparando os pretos típicos irlandeses”, disse o lapeano. “Quando olhei pelo lado da família e da amizade, achei que devia voltar e que aquilo foi uma etapa da minha vida. E a Lapa é muito charmosa.”
Já a curitibana Larissa Borda de Menezes, 22 anos, sabia que não permaneceria em uma cidadezinha próxima a Philadelphia, nos Estados Unidos, onde viveu por cerca de dois anos, mas não teve dúvidas ao escolher Curitiba como a cidade que a receberia na volta ao Brasil. “Tenho amigos no Rio e em São Paulo, que ganham mais, mas têm um custo de vida maior”.
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br



Brasil deverá dar mais vistos a haitianos

FLÁVIA FOREQUE
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
O Conselho Nacional de Imigração aprovou o fim da restrição à emissão de vistos para haitianos interessados em emigrar para o Brasil.
Pela regra atual, definida em janeiro deste ano, o consulado brasileiro em Porto Príncipe, capital do Haiti, pode emitir até cem vistos permanentes por mês.
A intenção é eliminar essa trava e permitir que a emissão de vistos ocorra de acordo com a capacidade de processamento da representação brasileira.
A mudança foi decidida anteontem, na última reunião do conselho neste ano, e encaminhada à Casa Civil.
Apesar de ter autonomia para tomar essa decisão, o grupo, vinculado ao Ministério do Trabalho, decidiu encaminhar o documento para o Planalto por se tratar de um tema "delicado", segundo assessores do governo.
O texto deve ser publicado ainda neste mês no "Diário Oficial da União". O próximo encontro do grupo, formado por representantes de nove ministérios da Esplanada e da sociedade civil, está agendado para fevereiro.
A nova regra deverá valer para todo o próximo ano --ao final de 2013, a medida será discutida mais uma vez.
Em janeiro deste ano, o governo anunciou a restrição para ingresso de haitianos no Brasil. A decisão foi tomada numa tentativa de coibir o ingresso ilegal dos haitianos, em grande parte pela região Norte do país.
Na ocasião, também houve um aumento do efetivo da Polícia Federal na fronteira com Bolívia e Peru.
Esse movimento migratório se intensificou após o terremoto que atingiu o país em 2010. O episódio provocou a morte de 200 mil pessoas e devastou a capital do país, o mais pobre das Américas.
O governo decidiu ainda regularizar a situação dos haitianos que entraram no Brasil ilegalmente, concedendo visto de caráter humanitário para os que já estavam no país.
Nos últimos dois anos, o governo autorizou emissão de 4.016 vistos desse tipo para haitianos.
No Haiti, a emissão de 1.200 vistos ao ano, entretanto, não foi suficiente para atender a demanda.
Reportagem da Folha publicada na semana passada mostrou que o consulado brasileiro já não recebe mais novos pedidos de vistos permanentes --as entrevistas para concessão dos vistos para 1.200 famílias haitianas em 2013 já foram realizadas.
A avaliação do governo é de que essa demanda reprimida pode estimular a vinda ilegal de haitianos e a atuação de "coiotes" (atravessadores). Ao mesmo tempo, o governo não acredita que o fim da limitação de vistos provocará uma "explosão migratória" para o Brasil.
Representantes da sociedade civil também não veem prejuízo com a mudança. A princípio, a concessão de cem vistos por mês para famílias do Haiti foi vista com ressalva por centrais sindicais.
Havia um temor de que os estrangeiros tomassem postos de brasileiros, o que não se confirmou.
A expectativa é que essa mão de obra seja absorvida em obras do PAC.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1201079-brasil-devera-dar-mais-vistos-a-haitianos.shtml

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


O Haiti é aqui, no Paraná


Jean Auguste, Jean Vertus e Kesnel (no sentido horário) trabalham em Ponta Grossa: frio, saudade e idioma são barreiras na adaptação dos haitianos
Dois em cada dez haitianos que desembarcaram no Brasil após o terremoto de 2010 estão em território paranaense. Imigrantes se espalharam pelas regiões Sul, Sudeste e Norte.
Descrentes com a recuperação econômica do Haiti após o terremoto que matou 316 mil pessoas em janeiro de 2010, muitos haitianos procuraram o Brasil para recomeçar a vida e buscar um emprego. Hoje, dois anos e meio após a tragédia, cerca de 6 mil haitianos vivem no Brasil, segundo o Ministério da Justiça. A maioria migrou para cá entre o ano passado e este ano. Desse contingente, 600 estão em território paranaense, espalhados em pouco mais de dez municípios.
De acordo com o Conselho Nacional de Imigração (Cnig), ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, a Região Sul concentra 40% dos imigrantes do Haiti. O restante vive no Norte (39%) e no Sudeste (21%). No Sul, o Paraná é o estado com a maior parcela, com 19% dos imigrantes oriundos da capital haitiana, Porto Príncipe. Outros 8% estão em Santa Catarina, e 13%, no Rio Grande do Sul. Na Região Norte, o Amazonas abriga 19% dos haitianos que estão na região. No Sudeste, São Paulo é o principal polo, com 12% dos haitianos da região.

 

Futuro
Apesar das dificuldades, imigrantes fazem planos para trazer as famílias
Três haitianos que nunca tinham se visto no país de origem foram se conhecer neste ano, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Eles foram contratados por uma empresa terceirizada da concessionária Rodonorte para restaurar duas pontes na rodovia PR-151. O trabalho começa ao amanhecer e é pesado, mas os haitianos não reclamam. “Gosto muito daqui”, diz Jean Estaniel Vertus, 29 anos, que era motorista em Porto Príncipe quando a tragédia causada pelo terremoto forçou sua saída do país em busca de trabalho no Brasil.
 
Além dele, Kesnel Pierre Charles, 32 anos, e Jean Julio Auguste, 42 anos, também atuam na obra. Os três dizem que já estão acostumados com a rotina no Paraná, mas se queixam do frio e das barreiras que têm enfrentar no dia a dia, como a dificuldade para se comunicar em português e a saudade da família.
 
Dos três, Kesnel é o veterano. Ele está no Brasil há um ano e três meses. Desembarcou em Manaus e depois foi recrutado por empresas paranaenses. Veio primeiro para Curitiba, depois seguiu para Ponta Grossa, onde divide um alojamento próximo ao Parque Estadual de Vila Velha com os dois amigos haitianos. Kesnel fala melhor o português porque fez um curso de quatro meses no Amazonas. Agora, ele ensina os colegas. Jean Vertus está aprendendo o idioma, mas Jean Auguste ainda precisa da ajuda dos colegas para conversar.
 
Lan house
Pelo menos uma vez por mês, eles pegam um ônibus e vão até o centro de Ponta Grossa para usar uma lan house. É a única alternativa para conversar com os familiares. Os três querem trazer os parentes para morar no Paraná.
Kesnel deixou a namorada no país de origem; Jean Vertus, o filho de 6 anos e a esposa; e Jean Auguste, os dois filhos de 11 e 14 anos mais a esposa. Além das conversas esporádicas, eles mantêm o vínculo com os familiares mandando parte do ordenado para Porto Príncipe por meio de transferência bancária.
Segundo o presidente do Cnig, Paulo Sérgio de Almeida, os haitianos que migraram para o Brasil entraram no país principalmente pelo Acre e pelo Amazonas. A maioria dos que seguiram para o Sul do país vem do Acre. Conforme uma das coordenadoras da Pastoral do Migrante no Paraná, Elisete Sant’Anna de Oliveira, entre as explicações para o acolhimento paranaense está o fato de as empresas recrutarem haitianos no Norte do país e a própria rede de comunicação formada pelos haitianos. “Muitos se conheceram no Norte e mantêm contatos entre si. Eles chamam os amigos para os estados onde estão e ainda há emprego disponível”, comenta. Ainda segundo ela, dos haitianos que estão no Paraná, 90% estão estabilizados e querem trazer os familiares. 
Singularidade 
Os haitianos estão no Brasil com visto humanitário. De acordo com Almeida, a causa para a vinda deles ao Brasil é basicamente econômica. Nesse sentido, segundo ele, esse foi um tipo de fluxo migratório singular. “O Haiti já estava desestruturado antes do terremoto e depois dele as coisas não voltaram ao normal. Na história recente do Brasil, a imigração dos haitianos é um caso muito diferente”, diz o presidente do Cnig. Em geral, as imigrações ocorrem por motivos de guerra ou perseguição religiosa. 
A explosão da imigração haitiana é facilmente constatada ao se observar a série histórica dos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1970 a 2010. Até o terremoto, pouco menos de 400 indivíduos vieram morar no Brasil nesse período. Número que não chega a 10% do total que migrou para terras brasileiras entre 2011 e 2012. Ainda segundo o IBGE, dos anos 70 para cá, portugueses e japoneses foram os povos que mais enviaram cidadãos para o Brasil: 1,29 milhão e 426 mil, respectivamente.
Mão de obra estrangeira é bem-vinda, dizem analistas
Os haitianos não concorrem com os brasileiros quando o assunto é mercado de trabalho, na opinião do professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Jorge Ramalho da Rocha e do professor de Sociologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) Márcio de Oliveira. Isso porque os imigrantes ocupam vagas em que o país carece de mão de obra.
De acordo com a política estabelecida pelo governo federal, após o terremoto de 2010, qualquer haitiano que não tenha antecedentes criminais e queira vir para o Brasil pode obter o visto para residência permanente mesmo sem ter vínculo empregatício no país. A embaixada brasileira em Porto Príncipe concede os vistos de quem quer vir para cá e o Ministério da Justiça regulariza a situação de quem já está no Brasil.
Conforme o presidente do Conselho Nacional de Imigração (Cnig), Paulo Sérgio de Almeida, dessa forma as imigrações são praticamente todas regulares. Apesar disso, ainda ocorre a travessia terrestre de haitianos para o Brasil pelo Acre, mas a situação é monitorada pelo governo.
“A quantidade de haitianos é pequena e será fa­cilmente absorvida pela economia brasileira, que, aliás, necessita de mão de obra. Em certas áreas, tais como a construção civil, eles têm longa tradição e trabalham muito bem”, analisa Rocha. 
Além do Brasil, conforme Oliveira, os haitianos que deixaram o país após o terremoto foram para República Dominicana, Estados Unidos e França. “A situação no Haiti continua muito ruim, há centenas de abrigos e a tendência é que os haitianos continuem deixando o país”, considera. Para ele, os países latino-americanos deveriam se reunir para planejar o recebimento dos haitianos.
Assistência
Pastoral e Comitê Estadual prestam apoio a imigrantes no PR
Para apoiar os cerca de 600 hai­­tia­nos que estão no Paraná, o estado conta com a Pastoral do Mi­grante, uma iniciativa da Igre­ja Católica, e o Comitê Es­­ta­dual de Refugiados e Mi­gran­tes, que envolve órgãos do go­­ver­no estadual. A assistente social Elisete Sant’Anna de Oli­­vei­­ra, integrante da coordenação da Pastoral do Migrante, explica que a entidade acompanha o trabalho dos haitianos con­­tra­­tados no estado e verifica se eles não estão sob condições de­­gradantes. “A Pastoral não age diretamente nos contratos de trabalho, mas cria condi­ções pa­­ra questionar os problemas quan­­do eles existirem”, acrescenta. 
Elisete também integra o Comitê Estadual. Ele foi instalado em julho deste ano para acompanhar as políticas públicas de atendimento a migrantes e refugiados e está sob a coordenação da Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos. Conforme Elisete, entre os projetos do comitê estão aulas de português para os imigrantes em parceria com a Secretaria de Estado da Educação.


Fonte:  http://projetoimigrantescepja.blogspot.com.br


Mercosul se compromete a fortalecer espaço humanitário de proteção a refugiados

Ministros da Justiça e do Interior de países membros e associados ao Mercosul assinaram declaração que fortalece o espaço humanitário na região

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Os países membros do Mercosul e outros dois Estados Associados comprometeram-se a adotar políticas comuns de proteção a solicitantes de refúgio e refugiados e fortalecer o espaço humanitário na região. Tal compromisso foi formalizado com a assinatura da “Declaração de Princípios do Mercosul sobre Proteção Internacional dos Refugiados”.

Por meio da Declaração, os países signatários concordaram em adotar políticas migratórias não restritivas, identificar situações de refúgio em fluxos migratórios mistos, dar atenção especial às questões de gênero e idade (particularmente em casos de crianças desacompanhadas ou separadas de sua família) e não devolver refugiados e solicitantes de refúgio aos seus países de origem ou a territórios onde suas vidas corram perigo.

A Declaração foi assinada pelos Estados Membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela) e por dois Estados Associados (Bolívia, Chile) durante reunião de ministros de Interior e de Justiça promovida pelo governo brasileiro.

Entre outros compromissos assumidos pelos países signatários da Declaração estão a garantia de que refugiados poderão exercer os mesmos direitos de outros estrangeiros em situação regular, adoção de uma abordagem favorável à reunificação familiar de refugiados e o estabelecimento de mecanismos de cooperação entre as instituições que tratam do tema do refúgio em cada país.

Os países também concordaram em fortalecer os programas nacionais de reassentamento de refugiados, criar um programa de reassentamento em âmbito regional e adotar mecanismos alternativos aos previstos pelos instrumentos de proteção internacional de refugiados. Além disso, concordaram em fortalecer institucionalmente as comissões nacionais que lidam com a temática dos refugiados por meio da capacitação de seus funcionários em escala regional.

A Declaração ressaltou a importância de harmonizar as legislações dos países para fortalecer as estruturas de proteção e integração dos solicitantes de refúgio e refugiados. Além disso, os países se comprometeram a redobrar esforços para garantir o respeito aos direitos humanos dos refugiados e suas famílias. Eles reconheceram ainda a necessidade de enfrentar desafios coletivamente para melhorar a proteção aos refugiados que chegam na região em busca de segurança.

“Temos compromisso em declarar a América do Sul como espaço privilegiado e solidário de proteção humanitária”, disse o Secretário Nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) do Brasil, Paulo Abrão, um dos anfitriões do encontro de Fortaleza. Para ele, “a Declaração do Mercosul deve ser vista como o primeiro passo do esforço regional de preparação para celebrar os 30 anos da Declaração de Cartagena +30, em parceria com o ACNUR."

Na contramão do que tem acontecido em outras regiões do mundo, a “Declaração de Princípios do Mercosul sobre Proteção Internacional dos Refugiados” propõe que os países do Mercosul não apenas evitem a adoção de políticas migratórias restritivas, como possibilite alternativas para a regularização migratória, evitando assim a apresentação de solicitações que não tenham relação com situações de refúgio.

Ainda sobre a questão das políticas migratórias, o texto indica que os países signatários deverão adotar medidas comuns para identificar as pessoas que necessitam de proteção internacional no contexto do aumento e da complexidade dos movimentos migratórios mistos.

“A Declaração é um ótimo exemplo da vontade política dos países membros e associados ao Mercosul para manter a bandeira da solidariedade com os refugiados, em um contexto internacional de políticas restritivas tanto no tema dos migrantes, em geral, como com o tema dos refugiados em particular”, afirmou o representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez.

Outros pontos importantes da Declaração são o reconhecimento da participação da sociedade civil na luta pelos direitos dos refugiados e a orientação de que todos os países da região adotem a definição ampla de refugiado proposta em 1984 pela Declaração de Cartagena.

Cartagena +30 – Durante a reunião de ministros de Interior e de Justiça ocorrida em Fortaleza, houve também a primeira reunião dos Comitês Nacionais para Refugiados (CONAREs) do Mercosul e Estados Associados, sob liderança do CONARE brasileiro e a participação do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Brasil.

O encontro deu o pontapé inicial nas consultas para a comemoração dos 30 anos da Declaração de Cartagena sobre os Refugiados, marcada para 2014. A declaração é considerada um marco para a proteção de refugiados na América Latina e Caribe.

Segundo a Declaração de Cartagena, devem ser reconhecidos como refugiados, além das situações previstas na Convenção de 1951 e seu Protocolo de 1967, pessoas que deixaram seu país porque sua vida, segurança ou liberdade foram ameaçadas pela violência generalizada, agressão estrangeira, conflitos internos, violação maciça de direitos humanos e outras circunstâncias que tenham perturbado gravemente a ordem pública.

De acordo com o CONARE brasileiro, vivem no país cerca de 4.600 refugiados reconhecidos pelo governo brasileiro, vindos de 77 países diferentes. A maioria desses estrangeiros é de origem africana, principalmente angolanos e liberianos – estes recentemente afetados pela cláusula de cessação do refúgio e em processo de obtenção de residência permanente no Brasil –, além de nacionais da República Democrática do Congo. Em seguida estão os refugiados das Américas, cujo maior grupo é formado por colombianos.

Redação Rádio Migrantes com informações do Acnur
http://www.redesul.am.br

terça-feira, 11 de dezembro de 2012


Morre Hatiano no Município de Feliz - Rio Grande do Sul - Brasil

NOTÍCIA MUITO TRISTE

  • 10-12-2012

    Haitiano morre atropelado na RS 452

    Jean Erve de 31 anos, natural de Gunaive, no Haiti, morreu atropelado na RS 452, quilômetro sete, em frente ao posto Kuno, por volta das dez horas da noite de domingo.

    Ele transitava de bicicleta pelo acostamento da rodovia no sentido Feliz – Vale Real. Um Gol que vinha no mesmo sentido em zingue - zague, devido ao alto nível de embriaguez, colidiu na traseira da bicicleta do Haitino, que morreu no local.

    Cristiano Dreher de Andrade, de 30 anos, motorista do automóvel, foi preso em flagrante e encaminhado ao presídio de Charqueadas. O índice de álcool no sangue do motorista chegou a 1,54 mg/l.

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Trajetória interrompida10/12/2012 | 22h05

 Haitiano morre atropelado na cidade de Feliz, no Vale do Caí Jean vivia no Brasil desde março deste ano
Foto: Arquivo pessoal / Arquivo PessoalAlisson Coelho alisson.coelho@zerohora.com.br


Durante os últimos oito meses, a haitiana Virginie D'aout, 61 anos, ia até o banco pegar o dinheiro que o filho, Erve Jean, 31 anos, enviava do Brasil. A partir do próximo dia 5 a ajuda que servia para sustentar os dois filhos de Jean, que viviam com a avó, deixará de chegar. Ele morreu atropelado na noite do último domingo na rodovia Bom Princípio - Linha Nova (ERS-452). Jean estava no Rio Grande do Sul desde março desse ano, quando foi escolhido para trabalhar em uma empresa de Feliz, no Vale do Caí. Junto com outros nove haitianos, ele se estabeleceu em Bom Princípio, e trabalhava como operador de máquinas. Na noite do acidente, Jean havia ido até a casa de um amigo em Feliz. Por volta das 21h45min ele voltava para casa de bicicleta quando um motorista perdeu o controle de um Gol, na altura do quilômetro sete, e atropelou o haitiano no acostamento. Jean não teve tempo sequer de ser socorrido. Avisado do que havia acontecido com Jean, o primo dele, Luckner Doucette, 32 anos, veio de São Paulo, onde trabalha como azulejista, para acompanhar o enterro nesta segunda-feira. — Tudo o que eu quero é justiça. Nós somos estrangeiros, mas isso não pode ser motivo para que quem fez isso com o meu primo não seja responsabilizado — afirma Doucette. Jean deixou o Haiti no final de 2011. A cidade natal, Gonaives, foi uma das mais afetadas pelos terremotos de 2010. Meses depois da catástrofe, os moradores enfrentaram um surto de cólera. Cansado da vida difícil e de pouco trabalho, Jean veio para o Brasil. Em Gonaives ficaram a mãe e os dois filhos de quatro anos. O haitiano sonhava traze-los para o Brasil quando tivesse condições. Mensalmente, parte do salário de operador de máquinas era enviado para a família. — Não sei o que será feito dos filhos dele sem esse dinheiro que era mandado todos os meses. Já avisamos a família, que está desconsolada — lembra o primo. Em Bom Princípio, onde morava com outros três compatriotas, o haitiano tinha hábitos simples. Costumava visitar os colegas que moravam perto e fazia os primeiros amigos na região. Nos finais de semana, frequentava cultos em uma igreja Batista. — Falávamos todos os meses por telefone, conversamos por 30 minutos no dia em que ele morreu. Era um cara com muitos sonhos, todos interrompidos — conta Doucette.

Fonte:http://haitianosbrasil.blogspot.com.br/

sábado, 8 de dezembro de 2012


Livro sobre tráfico humano dará subsídio ao texto da CF de 2014

Publicação do Setor de Mobilidade Humana foi lançada pela CNBB

A Campanha da Fraternidade de 2014 já conta com um importante subsídio. Trata-se de um livro que aborda o tráfico de seres humanos e o trabalho escravo, tema escolhido pela Igreja do Brasil. O material foi apresentado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB e deverá compor as linhas gerais do texto base que dará visibilidade nacional à chaga do tráfico humano e trabalho escravo, atividades ilícitas que figuram como o segundo crime mais rentável do mundo, perdendo apenas para o tráfico internacional de drogas.

O livro intitulado Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo foi produzido pelo Setor Mobilidade Humana, com informações importantes sobre o tema. O presidente da Comissão de Caridade, Justiça e Paz da CNBB, dom Guilherme Werlang observa que a publicação traz diversas abordagens tanto do ponto de vista teológico, como da conjuntura brasileira.

Lembra que o livro é resultado de trabalho de reflexão que iniciou em 2008, no Setor de Mobilidade Humana, tendo como ponto alto dois seminários sobre a questão. Destaca que a CNBB oferece o subsídio como apoio para elaboração do texto base e demais materiais da Campanha da Fraternidade de 2014.

Dom Guilherme ressalta que os textos da campanha terão muitas outras dimensões a partir da pesquisa que vários especialistas realizam sobre o tema. Os Missionários Scalabrinianos serão colaboradores diretos na elaboração do texto base, visto que o tema da campanha tem ligação significativa com o fenômeno migratório.

O tema da campanha será Fraternidade e Tráfico Humano e foi apresentado por grupos que envolvem entidades ligadas ao setor pastoral da Mobilidade Humana, como o Serviço Pastoral do Migrante e da Rede “Um Grito Pela Vida”.

Estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho, OIT, em junho de 2012, estima o número de vítimas em 20,9 milhões, sendo 1,8 milhão somente nos países da América Latina e Caribe.

Segundo a Organização Internacional para Migrações, OIM, o tráfico de pessoas e o contrabando de migrantes estão crescendo na América Latina em função do crescimento da demanda e da tendência em importar trabalho barato em condições precárias.

Fonte: http://www.redesul.am.br

Vigília Eucarística Vocacional


Noviço scalabriniano
No último dia 27 de novembro, em o Noviciado Nossa Senhora de Guadalupe, no bairro Vila Nova, Porto Alegre- RS, aconteceu a Vigília Eucarística Vocacional, fruto do Encontro Interprovincial de Formandos e Formadores Scalabrinianos, que aconteceu em Curitiba- PR em Outubro deste ano.
A Vigília teve o objetivo de celebrar os 125 anos de fundação da Congregação Scalabriniana, oficialmente fundada no dia 28 e rezar pelas vocações uma vez  que esta data marca também o encerramento do Ano Vocacional Scalabriniano e o XIV Capítulo Geral da Congregação.
Os noviços sacalabrinianos, com muita criatividade, envolveram a comunidade paroquial na preparação e desenvolvimento da liturgia, especialmente os jovens.
No jardim do noviciado existe um poço, bem no centro, que serviu de altar para expor a Eucaristia. Por trás, bem ao alto, os jovens ergueram a Cruz. No lado oposto, uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi erguida, para completar as três devoções do Bem Aventurado Scalabrini.
Foi uma noite de muita emoção, onde as pessoas puderam sentir a presença viva da Congregação Scalabriniana, nesta data tão importante para todos nós.
Por: Provinciasp