quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Reunião da Pastoral do Migrante Regional Sul II em Curitiba  

Neste ultimo dia 19, representantes das dioceses de Foz do Iguaçu, Cascavel, Londrina e Curitiba estiveram reunidos para debater, articular as varias e novas demandas e desafios que temos com a realidade migratória.  Temos como prioridade situar e fortalecer a sociedade do novo que está presente, e que nós como igreja, sociedade civil e ou governo devemos ter propostas de ação para melhor atender os migrantes e imigrantes de varias nacionalidades que chegam ao nosso estado com esperança de vida melhor. Como podemos fazer?


Lucia Bamberg Valentim
lbag7@hotmail.com
Curitiba - PR

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Reunião discute atuação do Paraná no Fórum Mundial de Direitos Humanos

A Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná realizará nesta terça-feira (19), das 14 às 17 horas, uma reunião de mobilização estadual em preparação ao Fórum Mundial de Direitos Humanos, que acontecerá de 10 a 13 de dezembro, em Brasília. A reunião, que discutirá as formas de participação de instituições públicas e da sociedade civil no fórum, além de outras atividades, será na sede da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), em Curitiba.

O objetivo do Fórum Mundial de Direitos Humanos é promover o debate público sobre direitos humanos para tratar dos principais avanços e desafios do desenvolvimento social quanto ao respeito às diferenças, participação social, redução das desigualdades e enfrentamento de todas as violações de direitos humanos.

Além de compor o Comitê Organizador, a Secretaria da Justiça será responsável pelo desenvolvimento de atividades autogestionadas durante o Fórum Mundial. A secretária da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos Maria Tereza Uille Gomes, explica que, desta forma, a secretaria vai fomentar o encontro, a apresentação e a fundamentação de propostas, principalmente em torno das temáticas relacionadas aos direitos humanos, educação em direitos humanos e tecnologia e dignidade humana.

Participam da organização do Fórum Mundial de Direitos Humanos entidades da sociedade civil; instituições internacionais; governos federal, estaduais e municipais; poder judiciário; poder legislativo; e instituições de ensino, pesquisa e afins.
Fonte: http://www.aen.pr.gov.br/

sábado, 16 de novembro de 2013

Rede de trabalho escravo é desarticulada em Caxias do Sul - RS

Paraibanos tinham que vender mídias piratas para pagar supostas dívidas com empregador

Fotos: Cleberson Portela
Fotos: Cleberson Portela
Uma rede de trabalho escravo que utilizava pessoas oriundas do estado da Paraíba para comercializar CDs e DVDs piratas foi desmantelada durante uma operação da Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho em Caxias do Sul Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta terça-feira (12/11), no bairro Esplanada. Três homens com idades de 45, 44 e 19 anos foram presos na Operação, denominada “Escravo Digital”. 

O delegado chefe da Polícia Federal em Caxias do Sul, Noerci Melo, explica que além do aliciamento dos paraibanos para trabalharem como vendedores ambulantes, os mesmos era alojados em locais precários, submetidos a jornadas exaustivas, além de serem impedidos de retornar para seu estado em razão de ameaças e dívidas contraídas com o empregador. Além das prisões foi apreendida grande quantidade de mídias, embalagens, além de equipamentos utilizados para produção e cópia de CDs e DVDs. As penas previstas para os crimes investigados podem chegar a 15 anos de reclusão.
por Cleberson Portela , dia 12/11/2013 às 14:05

quinta-feira, 14 de novembro de 2013




MIGRANTES, MUROS OU PONTES?

Estamos vivendo num mundo cada vez mais complexo e globalizado, onde o aumento das migrações internacionais, especialmente em nosso estado do Rio Grande do Sul se tornou algo evidente nos últimos anos, e seguirá sendo no futuro um dos temas centrais das agendas internacionais. As cifras divulgadas pelas Nações Unidas indicam que ao redor de 220 a 240 milhões de pessoas residem em um país distinto daquele que nasceram; 1,5 milhões estão no Brasil e 72 mil Rio Grande do Sul, destes em torno de mil são haitianos e mais mil senegaleses com um crescimento acentuado destes últimos, principalmente nas cidades de Caxias do Sul e Passo Fundo.
As políticas migratórias restritivas, os controles fronteiriços, as expulsões de migrantes irregulares, as assimetrias socioeconômicas, a pobreza, a falta de trabalho, os desastres naturais, os conflitos armados e outros conflitos internacionais, são fatores que seguirão forçando a milhões de pessoas a cruzarem as fronteiras nacionais para buscarem melhores condições de vida. A história mostra que os movimentos migratórios não podem ser freados com a construção de muros. A política mais adequada para a gestão das migrações é a construção de pontes de convivência e relação internacional.
As discussões entre os governo e as organizações internacionais sobre a melhor maneira de orientar o fenômeno das migrações internacionais, atualmente focalizadas nos aspectos demográficos, econômicos, culturais e da seguridade nacional, terão que considerar um dos aspectos mais desafiantes deste fenômeno: a convivência pacífica entre as comunidades locais e os imigrantes. Por um lado, os conflitos sociais e políticos regeneram os movimentos migratórios forçados. Por outro, as percepções negativas das populações locais frente aos imigrantes regeneram conflitos e hostilidades sociais, dificultando uma convivência harmônica entre ambos coletivos. Ambos aspectos revelam que são os próprios migrantes quem, junto aos atores sociais e políticos municipais, nacionais e internacionais, se convertem nos atores principais do debate.
Já faz alguns anos que se está promovendo, tanto no Continente Americano como em outras partes do mundo, processos de paz e reconciliação que buscam curar as feridas das migrações forçadas e das violações dos direitos humanos cometidos especialmente durante os governos militares. Ademais da resolução dos con-flitos do passado, estes processos são também chamados a colaborar na construção de uma paz sustentável, favorecendo assim a resolução dos problemas estruturais de injustiças e exclusão social que estão situadas na base dos conflitos atuais.
Neste contexto o Cibai-Migrações e a Igreja da Pompéia, em Porto Alegre, RS, são espaço de reflexão e debate sobre a necessidade de buscar soluções a essas dificuldades estruturais e culturais que impedem a convivência social harmônica, e sobre a necessidade de promover uma cultura de convivência pacífica entre os imigrantes e as comunidades de acolhida. Procurando incidir frente aos governos para que implementem políticas migratórias de respeito e proteção dos direitos de todos os migrantes e suas famílias, e o desenvol-vimento de propostas concretas que comprometam a todos e a cada um dos diferentes atores sociais e políti-cos na construção de uma cultura da acolhida, da solidariedade e da paz. Também empenhados na divulgação do compromisso da Igreja para a solidariedade com os imigrantes e suas famílias.

Para refletir:
1. No seu bairro e na sua cidade estão chegando migrantes?
2. Você conhece alguma iniciativa, da Igreja ou do Poder Público, no seu municipio que está sendo feita em favor dos migrantes?

Pe. João Marcos Cimadon, cs
Porto Alegre, RS
joaocimadon@yahoo.com.br

Audiência na Assembleia discute situação irregular de centenas de senegaleses em Caxias do Sul - RS


Foto: Por Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
A vereadora Denise Pessôa, de Caxias do Sul, trouxe a questão para a Assembleia Legislativa | Foto: Por Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
Débora Fogliatto
Desde outubro do ano passado, centenas de senegaleses chegaram ao município de Caxias do Sul, na serra gaúcha. A comunidade de imigrantes vindos do país localizado no noroeste africano já conta com mais de 600 pessoas apenas na cidade. Sem serem considerados refugiados, sem visto humanitário ou de trabalho, os senegaleses sofrem com condições precárias de moradia, saúde e trabalho.
A situação desses imigrantes foi tratada em audiência pública realizada pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (13). A vereadora Denise Pessôa (PT), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Caxias do Sul, trouxe as reivindicações que já estão em debate na cidade. Alguns membros da comunidade de imigrantes também estiveram presentes, e foram representados pelo líder da Associação de Senegaleses, Abdou Lahat Noiaye, conhecido como Bili.
A audiência foi guiada pelo presidente da Comissão, Jeferson Fernandes (PT), e pela deputada Marisa Formolo (PT), que convocou a audiência. Ela afirmou que a convocação é decorrência do trabalho feito pela Câmara de Caxias. Marisa criticou a dificuldade em enquadrar os imigrantes de forma que eles possam adquirir documentos. “Entendo que para aceitar senegaleses dentro de um plano humanitário, é preciso critérios. Mas fome não é um critério? Falta de trabalho não é um critério?”, indagou.
Vereadora e senegaleses relatam dificuldades
O apoio aos senegaleses é dado principalmente pelo Centro de Atendimento ao Migrante, das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo-Scalabrinianas, de Caxias do Sul, e pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Denise Pessôa, presidente da comissão, explicou os diversos obstáculos que os imigrantes enfrentam ao se estabelecer na cidade. “Eles encaminham pedido de refúgio, que muitas vezes é negado. Quando isso acontece, estão sujeitos a ser explorados em seus trabalhos”, lamenta.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
Vários senegaleses assistiram à audiência | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
Abdou Lahat Noiaye, o Bili, denuncia que diversos imigrantes se machucaram nos empregos nas fábricas e, por estarem em situação irregular, não receberam assistência por parte das empresas e, em alguns casos, foram demitidos. “Muitos têm dificuldade de acesso à saúde, porque no hospital não entendem o que eles falam. Em um caso, uma mulher grávida em trabalho de parto foi ao hospital, onde disseram que precisavam esperar alguém para traduzir”, conta.
De acordo com Denise, os cerca de 600 senegaleses chegaram à cidade em busca de emprego, e em sua maioria já estão trabalhando. Agora, a comissão tenta encaminhar vistos de trabalho para os imigrantes, embora esse tipo de documentação normalmente só seja fornecido para quem ainda não entrou no Brasil. “Quando a gente chega aqui, sofre mesmo, temos dificuldade com trabalho, moradia e com a língua. Além disso, a Polícia Federal demora meses para encaminhar os documentos”, narra Bili.
Sem documentos, os senegaleses não podem alugar imóveis, e também enfrentam problemas de moradia. “O albergue da cidade não aceita pessoas na situação deles. Se não fosse o Centro ao Migrante, muitos estariam na rua”, afirma. A congregação alugou uma casa durante um ano para abrigar alguns imigrantes, em parceria com a Prefeitura, que havia prometido construir uma casa de passagem, o que ainda não ocorreu.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
Abdou Lahat Noiaye, o Bili, denunciou as dificuldades que os imigrantes enfrentam | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
“O prefeito de Caxias disse que não pode dar atenção a isso porque precisa ‘cuidar dos nossos’. Os nossos é só quem nasceu em Caxias?”, indignou-se a vereadora, garantindo que os senegaleses “ajudam a construir nossa cidade no dia-a-dia”. Ela relata que há duas Caxias, “uma dos brasileiros e uma dos imigrantes”, que há dificuldades em conseguir qualquer avanço por parte do prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) e da secretaria de Assistência Social. Denise ainda se preocupa que a tendência seja a imigração aumentar, enquanto não há mudança de visão por parte da prefeitura.
Bili narra que, no Senegal, as famílias são grandes e frequentemente um membro vai para outro país, onde pensa que pode “encontrar uma vida melhor”. Ele explica que não há tantos trabalhos em seu país e que as pessoas que saem ajudam as famílias. “Chegamos aqui sem roupa, sem mala, sem dinheiro, sem nada. Precisamos trabalhar para mandar dinheiro para as nossas famílias”, conta.
Encaminhamentos
A Irmã Maria do Carmo, do Centro de Atenção ao Migrante, relatou que o número de pessoas aumentou muito nos meses de fevereiro e março deste ano. “Um primeiro grupo, que veio em outubro do ano passado, chegou com visto de turista. Mas esse ano muitos vieram pela fronteira do Acre, a partir do Equador”, relata. Ela defende que haja ações do governo que garantam que as pessoas não coloquem em risco suas vidas para chegar ao estado. “Sinto que estamos tratando de uma questão emergencial, extraordinária, de forma ordinária. Essas pessoas aceitam qualquer tipo de trabalho só para serem acolhidas”, afirma.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
Audiência terminou com encaminhamento de criação de grupo de trabalho | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/ Sul21
A dificuldade dos imigrantes de conseguirem se regularizar é atribuída a problemas na lei migratória. “Estamos presos a uma lei de 1980. As pessoas sem CPF não podem nem entrar no cadastro de programas sociais”, lamenta a antropóloga Denise Jardim, professora da UFRGS. Ela acredita que a própria Assembleia tem um “papel muito importante” no debate sobre imigrações.
O doutorando em Ciências Sociais Mumbadu Alfa Dialo veio de Senegal para estudar na UFRGS e acredita que a comunidade de estudantes do país pode ajudar na situação dos imigrantes de Caxias do Sul. “Os senegaleses que vêm para cá de forma irregular não são miseráveis, mas procuram vida melhor aqui. O Brasil é um dos melhores destinos atualmente, porque está em crescimento, enquanto a Europa está em crise”, expõe. Ele acredita que seja importante chamar para o debate a Embaixada do Senegal no Brasil, assim como o Itamaraty.
O deputado Jeferson Fernandes propôs unificar instituições para que sejam definidos quais problemas serão atendidos com prioridade. Ele lista especialmente a alimentação, a saúde e a moradia. O deputado sugeriu a criação de um grupo de trabalho estadual que conte com lideranças presentes na audiência, junto com o prefeito da cidade e outras instituições. A vereadora Denise afirmou que já existe um GT em Caxias do Sul em nível municipal, que pode ser integrado para ter mais força. Ela irá participar de uma reunião na sexta-feira da semana que vem (22) em Brasília para tentar obter vistos de trabalho para os imigrantes.
O senador Paulo Paim (PT) também se dispôs a ajudar, assim como o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social do rio Grande do Sul. Denise sugeriu que o Ministério Público também se envolva, assim como a Polícia Federal, com a qual já conseguiu contato através do gabinete do deputado Adão Villaverde (PT). A deputada Marisa Formolo também pediu que os estudantes senegaleses estejam presentes na reunião, assim como algum deputado federal e as secretarias nacionais de Direitos Humanos e Igualdade Racial.

domingo, 10 de novembro de 2013

Livro do Haiti é lançado em Curitiba - PR no evento sobre deslocamentos forçados e migração


Adriana Santiago
Adital

Adital"Deslocamentos Forçados, Fronteiras e Políticas Migratórias” foi o tema discutido no IV Seminário Nacional Cátedra Sérgio Vieira de Melo, realizado nesta segunda (30) e terça-feira (1) na Universidade Federal do Paraná (UFPR). A Agência de Informação Frei Tito de Alencar para a América Latina (Adital) foi convidada para falar sobre o livro 'Haiti por Si' (foto) e dividir a experiência de buscar esperança na reconstrução de um país pelos seus próprios cidadãos. O evento reuniu interessados em discutir e se atualizar sobre direito internacional e legislação brasileira sobre refúgio e apatridia, integração local e políticas públicas para os refugiados no Brasil.
A programação abordou em mesas-redondas assuntos como Refúgio e Políticas Migratórias; Cartagena+30: Refúgios, Apatridia e Reassentamento; o Legado de Sérgio Vieira de Mello; Migrações, Fronteiras Políticas do Brasil e Mercosul. Além disso, foram apresentados trabalhos acadêmicos relacionados ao tema central.
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello existe há 10 anos e passou a funcionar em alguns países da América Latina com a finalidade de difundir o Direito Internacional dos Refugiados e auxiliar na formação acadêmica e na capacitação de professores e estudantes. Sérgio Vieira de Mello atuou como representante especial do secretário Geral da ONU para o Iraque. Ele foi morto, junto a outros 22 funcionários da ONU, em um bombardeio contra a sede da Organização em Bagdá, capital do Iraque.
Haiti por Si
Em um momento especial do evento, o diretor da Adital, Ermanno Allegri, foi convidado para falar da experiência do livro Haiti por Si, que quer estimular a reflexão sobre a ajuda internacional naquela ilha do Caribe que não tem estimulado a refundação do país pelos haitianos, ao contrário, tem criado um circulo vicioso de ajuda emergencial e importação de gêneros e mão de obra, que não mexe com a produção interna e perpetua a relação de dependência internacional. O livro ainda chama a atenção para a falta de incentivo à soberania do país em termos políticos e de desestímulos às organizações sociais. Contudo, destaca experiências positivas desenvolvidas por haitianos, algumas vezes com ajuda de colaboradores internacionais que fogem à lógica da maioria, que poderiam ser replicadas e estimuladas, se houvesse mais empenho, vontade política e soberania. Também são apresentadas no livro-reportagem artigos com especialistas haitianos, além dos jornalistas haitianos e brasileiros que o escreveram.
O padre haitiano Gustot Lucien, foi um dos que saudaram o lançamento do livro. Ele mora no Brasil há nove anos e atualmente cuida do Centro de Atendimento ao Migrante, em Curitiba, cidade que hoje tem mais de mil haitianos legais. Para ele, iniciativas como esta, ajudam ao povo do Haiti a não esquecer a sua história de luta e trazer esperança para um futuro melhor. "Mostra que vale à pena manter viva a nossa história”. Padre Lucien, diz que a maioria dos haitianos que está no Brasil vem também de países vizinhos, em busca da documentação permanente oferecido pelo Brasil, além, é claro, das ofertas dos atravessadores. Ressalta que escuta muitos relatos de preconceito, mas também de boa acolhida. O religioso ainda chama a atenção para a exploração da mão de obra, pois pagam menos do que aos trabalhadores brasileiros e, muitas vezes, os dispensam sem qualquer direito trabalhista. Porém, aposta que a xenofobia brasileira não tem a mesma consistência do que na Europa, devido às raízes locais serem de muitas migrações também.
Para o coordenador do evento e professor da Universidade Federal do Paraná, José Antônio Peres Gediel , afirma que o lançamento do livro é uma forma de contemplar uma demanda local, devido ao grande contingente de haitianos em Curitiba e que impõe um debate sobre o tema Haiti e seus aspectos históricos, cultural e, principalmente, de sua reconstrução sustentável, apesar dos sucessivos problemas políticos, culturais e naturais. Para o professor, é importante ter uma visão e uma perspectiva de desenvolvimento estruturante.

Fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=77927&langref=PT&cat=

sábado, 9 de novembro de 2013

SANTA SÉ PEDE COMBATE AO TRÁFICO DE PESSOAS

Tema esteve em discussão pela Academia Pontifícia das Ciências, a pedido de Francisco
A Academia Pontifícia das Ciências, da Santa Sé, apresentou hoje as conclusões da conferência internacional de dois dias sobre o tráfico de pessoas, que decorreu no Vaticano por iniciativa do Papa Francisco, apelando ao fim desta “escravidão”.
“Penso que o Papa fará algo importante com este material, uma mudança radical”, disse aos jornalistas o chanceler das Academias Pontifícias das Ciências e das Ciências Sociais, D. Marcelo Sánchez Sorondo.
A iniciativa que decorreu entre sábado e domingo contou com a colaboração da Federação Mundial das Associações de Médicos Católicos e desenvolveu o tema ‘Tráfico de seres humanos, escravatura moderna’.
O chanceler declarou que os trabalhos deixaram muitas propostas para enfrentar uma “situação dramática”, em particular no que diz respeito à “prostituição”.
“Alguns observadores acreditam que o tráfico humano irá ultrapassar o tráfico de drogas e armas em 10 anos, tornando-se a atividade criminosa mais lucrativa no mundo", indicou.
A Organização Internacional do Trabalho estima que haja 20,9 milhões de pessoas sujeitas a trabalho forçado e que cerca de dois milhões se vejam obrigadas a prostituir-se.
Outra das preocupações apresentadas pelo Vaticano foi o tráfico de órgãos, que pode envolver cerca de 20 mil pessoas.
“Foi o próprio Papa Francisco a pedir a realização deste seminário e vieram pelo menos duas pessoas que, em várias situações e durante muitos anos, trabalharam com ele quando era arcebispo de Buenos Aires”, disse D. Marcelo Sánchez Sorondo.
O professor Werner Arber, presidente da Academia Pontifícia das Ciências, afirmou que as várias formas de “manipular os seres humanos por interesse económico foram consideradas como formas modernas de escravidão”.
O presidente da Federação Mundial das Associações de Médicos Católicos, José Maria Simon Castelvì, declarou por sua vez que é necessária uma “mudança de época” em relação à prostituição, “uma forma de traficar seres humanos”.
“Há séculos que se tolera, mas vimos que (a prostituição) deve desaparecer”, acrescentou.
Em maio, numa audiência aos responsáveis do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI), da Santa Sé, o Papa condenou o tráfico de seres humanos, que considerou uma “vergonha”.
“O tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas: exploradores e clientes, a todos os níveis, deveriam fazer um sério exame de consciência diante de si e diante de Deus”, declarou.
As questões do trabalho forçado, prostituição, tráfico de órgãos e outros tráficos criminosos vão ser debatidas numa conferência global, em 2015, de acordo com os responsáveis da Academia Pontifícia das Ciências.

Fonte: Agencia Ecclesia - 04.11.2013