quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

     O  sonho nordestino em terra paranaense



Sineudo dos Santos* *Leia abaixo o texto que levou o cortador de cana Sinuedo dos Santos para a final da Olímpiada da Língua Portuguesa. O lugar onde vivo é uma pequena cidade do interior do Paraná com uma população de apenas 4.664 habitantes. Tamboara é uma cidade construída por mãos de muitos migrantes vindos de vários lugares do Brasil, principalmente de estados do Nordeste. De acordo com um recente levantamento divulgado pelo IBGE, o Paraná está entre os  três estados que mais perderam migrantes nos últimos anos. Mas é justamente o contrário disso que se verifica em Tamboara. Nos últimos cinco anos, o município tem recebido um número expressivo de nordestinos vindos dos estados da Bahia, Piauí e Ceará para o corte de cana. Essa migração que ocorre aqui é a chamada migração temporária, pois os trabalhadores vêm para cá no pico da colheita da cana e depois voltam para seus estados de origem. Esse fato vem gerando polêmica entre a população tamboarense. Há aqueles que veem os novos moradores como intrusos. Argumentam que as empresas da região estão preferindo a mão de obra nordestina, tirando assim, as vagas daqueles ”legítimos moradores” que trabalham no corte de cana. Porém, essa opinião não é unânime entre os cidadãos desse lugar.
Muitos tamboarenses acreditam que o aumento da população (mesmo que de forma temporária) representa desenvolvimento econômico para o município, já que esses trabalhadores da cana consomem boa parte do dinheiro que ganham no comércio local. Esse aumento de vendas do comércio é facilmente observado nos mercados, lojas, bares e lanchonetes em dias de pagamento das usinas. Os comerciantes locais afirmam que o movimento de venda tem crescido em torno de 20% de 2007 para cá. Sou nordestino e sinto na pele essa polêmica. Há dois anos estou em Tamboara e já me considero parte dela. Defendo a ideia de que essa migração é benéfica tanto para os tamboarenses, quanto para nós, nordestinos. Não fossem pelas dificuldades em sobreviver em uma terra tão castigada pela seca, não deixaríamos para trás quem tanto amamos para trabalhar em terras tão distantes. Há ainda outra preocupação da população com relação ao aumento de gastos nas áreas de educação e saúde por causa da migração. O vereador, e também funcionário da saúde, Ariovaldo Vieira Martinez avalia que o aumento pela procura por consultas tem aumentado em torno de 17% a 20%. Explica ainda, que esses novos moradores não aparecem nos dados do Censo, e por isso, não são contabilizadas no repasse da verba que o município recebe para área da saúde. Sei que isso é uma realidade. Os trabalhadores nordestinos adoecem mais estando aqui por causa do ritmo intenso de trabalho e do clima mais frio que em seus estados de origem, e por isso, precisam recorrer à saúde pública. Porém, cabe aqui uma pergunta: O atendimento do SUS não é assegurado em todo território nacional? Defendo a ideia de que como brasileiros, temos direito a esse atendimento onde quer que estejamos. Não sou especialista no assunto, mas penso que a solução para isso está nas mãos do governo federal que deveria prever que mesmo em menor número, as migrações internas no Brasil ainda continuam existindo. Portanto, os municípios brasileiros, que assim como, Tamboara, estão recebendo migrantes temporários deveriam receber verbas condizentes com suas atuais necessidades. Assim, esses trabalhadores deixariam de causar problemas para administração pública local. Reafirmo que o nordestino é um povo sofredor. Muitas vezes, recebem uma diária de apenas 12 reais enquanto aqui, a diária é de 50. Não deixamos nossa terra porque queremos, mas por necessidade. Moramos em um país democrático. A Constituição nos permite o direito de ir, vir e morar onde são ofertadas melhores condições de trabalho para uma vida mais digna. Cheguei nessa cidade na condição de migrante temporário. Deixei meus estudos, meus pais, minha história e minhas tradições em busca de um salário mais digno. No entanto, me encantei por esse meu novo lugar. Hoje tenho um coração dividido entre o a cidade de Jardim no Ceará e Tamboara, no Paraná. Posso afirmar com orgulho que sou cidadão tamboarense. Com a força do meu trabalho, quero progredir na vida e fazer progredir também essa terra que tanto amo.

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/educacao/2012/12/11/o-polemico-sonho-nordestino-em-terra-paranaense.jhtm



Senegaleses no RS


04 de janeiro de 2013
Grupos de senegaleses têm migrado do país africano para Caxias do Sul em busca de trabalho e melhor qualidade de vida. Eles cruzaram o Atlântico em viagem de mais de 6 mil quilômetros. Agora, se adaptam à rotina serrana.
Localizado na costa oeste da África, o Senegal ocupa uma planície semiárida, coberta por savana e irrigada por três rios: Senegal, Gâmbia e Casamance. A distância entre o Senegal e o Brasil é de 5.215 km.
Confira as fotos dos Senegaleses no cotidiano serrano. As imagens são do fotógrafo Juan Barbosa.
Foto - Juan Barbosa
Foto - Juan Barbosa
Foto - Juan Barbosa
Foto - Juan Barbosa
Foto - Juan Barbosa
foto - Juan Barbosa
Foto - Juan Barbosa
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br


Caxias do Sul recebeu cerca de 400 imigrantes do Senegal e do Haiti em 2012

03 de janeiro de 20130
Cerca de 400 imigrantes chegaram na região da Serra nos últimos doze meses. A estatística é do Núcleo de Imigração da Polícia Federal de Caxias do Sul, que recebe imigrantes vindos de todo o Brasil para se instalar, principalmente, em Caxias, mas também em outras cidades da região.
Em 2012, foram distribuídos 259 registros permanentes para imigrantes do Haiti, que entraram em qualquer fronteira do país e pediram refúgio. Estas pessoas estão regularizadas, mas a Polícia Federal de Caxias recebeu também 120 pedidos de refúgio de pessoas vindas do Haiti e também do Senegal. Para se ter uma ideia, em 2011, apenas dois pedidos de refúgio haviam chegado a Polícia Federal e, atualmente, o número não para de crescer.
Segundo o delegado responsável pelo setor de imigração da Polícia Federal,  Vinicius Possamai Della, este acréscimo é motivado pela busca de emprego e por conta da legislação federal que acolhe esses imigrantes. O reflexo da chegada de tantos imigrantes são casas de acolhimento lotadas. Segundo a coordenadora do Centro de Atendimento ao Migrante, que fica no bairro Desvio Rizzo, irmã Maria do Carmo dos Santos Gonçalves, a casa de abrigo no bairro Desvio Rizzo conta com 22 moradores, todos do Senegal, e atinge sua lotação máxima.

Fonte:
http://wp.clicrbs.com.br

terça-feira, 1 de janeiro de 2013


. Centro de Atendimento ao Migrante – CAM – Caxias do Sul, Brasil.

Assistência social promovendo a superação das desigualdades sociais, o acesso aos direitos sociais e conquista da cidadania.

Diretora: Irmã Maria do Carmo dos Santos Gonçalves.
Endereço: Rua José Bresolin, 333 – Bairro Desvio Rizzo, 95110-460 Caxias do Sul-RS, Brasil.
E-mail: aesc.cam@terra.com.br.

As ações desenvolvidas pelo CAM, focalizadas no atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade e risco social, especialmente as famílias migrantes, estão organizadas em programas e serviços. Com os migrantes constroi tecnologias de processos de acolhimento que consideram o projeto migratório do indivíduo, as dinâmicas familiares envolvidas, o contexto social e econômico dos lugares de origem, as questões culturais implicadas na migração. Ao longo destes 27 anos foi firmando parcerias com entidades públicas e civis, criando assim espaços de articulação com rede sócio-assistencial do município.

O CAM tem por objetivo promover e defender a vida, a dignidade e os direitos do ser humano, sobretudo dos sujeitos em processo de mobilidade humana em suas vulnerabilidades, por uma ação solidária, responsável e sustentável, através de serviços qualificados de assistência social.

Instituições parceiras: FAZ/COMDICA - SJDS/RS - CARITAS







Fonte: http://aissmi.blogspot.com.br

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012



JORNAL O EMIGRANTE
Jornal do Movimento Leigo Scalabriniano da Paróquia São Pedro de Encantado- RS


Padre Haitiano deixa mensagem...


Empresa da as boas vindas aos haitianos que chegam para trabalhar...




No centro Municipal d eEducação estão sendo dadas aulas em portugues aos haitianos...



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



Relatos das visitas do Pe. Gustot Lucien 
aos imigrantes haitianos no RS

No dia 17 do mês de novembro as 7:30, viajei de ônibus, com destino Caxias do Sul. Fui acolhido por uma família dona do restaurante Forquetense, onde tem um grupo de 04 haitianos trabalhando. No mesmo dia à noite fui visitar outro grupo de haitianos numa outra região chamada Parada Cristal, no seu alojamento. Eles trabalham numa empresa chamada Vinhedo Papeis. Nesse grupo um havia acabado de sofrer um acidente no trabalho, e esta com os dois braços quebrados. No domingo das 16 a 18 horas, tive uma reunião com um grupo de aproximadamente 25 haitianos, que estão sendo acompanhados pelas Irmã Carlitas. Esta reunião aconteceu no salão da paróquia São Pelegrino, encerrei o dia de trabalho, concelebrando na missa das 19:45 como o Pároco, onde aproveitei a homilia para explicar o motivo da minha visita na cidade, recebi uma acolhida calorosa, na paróquia, após a missa atendi algumas confissões.
Na segunda feira de manhã dia 20 de novembro, me reuni com os haitianos que trabalham no restaurante Forquetense, as 7:30 da manhã.  Na seqüência fui à empresa vinhedo papeis para me encontrar com a gerente da empresa e outros funcionários. Depois do almoço, fui para Porto Alegre.   Lá posei na nossa Igreja da Pompéia que pertence a provincia São Pedro, fui muito bem acolhido pelos Padres Lauro e João Marco Cimadon.
            No dia 20, Pe. Jão Cimadon, Irmão Paulo Welter, s.j (inclusive este colaborou por alguns meses em Manaus com a nossa missão) e eu, partimos de Porto Alegre para uma turnê missionária, visitas aos haitianos. Partimos em direção as cidades de Lageados, Estrela, Encantado, Parai, Marau e Passo Fundo. Como sempre nossa intenção foi de escutar, os haitianos, seus empresários, conhecer suas moradias, incentivar a pratica religiosa, e orientar, em certas situações.
            A nossa primeira visita foi em Lageados na construtora Zagonel, na linha da construção civil. Fomos acolhidos pelo Senhor José Zagonel, diretor da empresa no seu escritório. Acolheu-nos bem e nos falou, sobre a maneira que vem acontecendo a integração dos meninos na empresa, na moradia, no trabalho e o acompanhamento da documentação deles. Ele diz que está muito satisfeito. Na seqüência, ele nos convidou para visitar as duas obras onde eles trabalham. Reunimos-nos com eles, evidentemente por causa da língua, falo mais com eles que meus colegas que estavam comigo.
            A segunda visita aconteceu na Empresa pré-tubo, ela é situada na beira da BR 386, na cidade Estrela, lá tem 12 haitianos trabalhando, nos acolheram bem também, passamos certas horas com eles, orientando sobre certas situações. No fim do dia seguimos para cidade de Encantado, e por volta da 5:30 chegamos na nossa paróquia( São Pedro) Fomos acolhidos pelos padres e um grupo de leigos Scalabrinianos. A pós a acolhida, tivemos uma reunião, onde o foco foi a questão dos haitianos que estão na cidade, sendo acompanhado pelos leigos, mesmo com a dificuldade da língua que ainda existe.  Lá tem um grupo de 50, haitianos (homens e mulheres) que trabalham há dois meses, num Frigorífico Dálias Alimento, esses imigrantes entraram pelo Acre. A empresa oferece moradia por 06 meses, num Hotel alugado. Com eles no Hotel, na presença dos leigos Scalabrinianos tivemos uma reunião de aproximadamente duas horas, na qual falamos sobre documentação, sobre nosso País Haiti, sobre integração, saudade, sobre fé, inclusive alguns católicos me perguntaram como fazer para participar na paróquia, e se preparar para certos sacramentos.
No dia 22, fomos para Paraí, lá só tem dois haitianos. Eles trabalham numa fabrica de móveis, eles foram contratados em Manaus,  as irmãs Scalabrinianas, os acompanham. Permanecemos com eles, um tempinho, e depois seguimos para a cidade Marau. Onde primeiro visitamos, um frei e padre Capuchino haitiano, que está há seis meses no Brasil, trabalhando no noviciado dos capuchinos, e vem acompanhando os haitianos, naquela cidade. Ele nos informou que além dele, têm três noviços haitianos no seminário que também os acompanham. Nesta cidade os haitianos trabalham, na empresa Metasa. Fizemos uma visita para eles no alojamento, que é  na própria empresa. Depois dessas visitas, logo em seguida, fomos para Passo Fundo. Dormimos em Passo Fundo na nossa residência e no dia seguinte Pe. João Cimadon e o Irmão Paulo, retornaram a Porto Alegre, e eu Gustot, retornei a Curitiba.
            Encontramos eles trabalhando com saúde, também com saudades dos familiares deles, e da nossa terra mãe, Haiti.

 Pe. Gustot Lucien, c.s

Fonte imagem:  http://www.restauranteforquetense.com.br e 

          Relato das visitas aos haitianos no Norte do Paraná,
                feitas pelo padre Gustot Lucien

Dando continuidade ao projeto de acompanhar os grupos de trabalhadores haitianos que estão no Estado do Paraná, parti de Curitiba para o Norte do Estado onde tem um número expressivo de migrantes haitianos, exercendo diversos tipos de trabalhos. Saí de Curitiba 28 de outubro por volta de 13:00 hs, de carro com destino a Londrina, chegando lá, posei na residência do Santuário Nossa Senhora Aparecida ( antiga missão Carlista). No mesmo dia à noite, fui convidado para assistir umas apresentações de um coral venezuelano e descendentes, na Igreja Rainha dos Apóstolos, que tem como pároco o padre José Alves, (palotino), ele também é assessor das pastorais sociais na Arquidiocese de Londrina.No dia 29, pela manhã, fui ao centro administrativo e Pastoral da Arquidiocese, onde encontrei com alguns agentes de pastorais e assistentes sociais que estão envolvidos diretamente com a realidade dos migrantes haitianos. Neste mesmo dia á tarde, visitamos um seminário onde tem um seminarista haitiano (Lucien Ceralis), ligado com o instituto São Tiago, conversamos sobre a realidade da migração haitiana  e ele se colocou a disposição para colaborar com a equipe pastoral de Londrina. Em seguida começamos a ter contatos com vários grupos de migrantes, empregadores e  empresas. Tivemos sempre boa receptividade nas empresas, muito mais ainda por parte dos haitianos. Nesse dia, concluímos as visitas em Cambé, conversando com o empregador de alguns haitianos. Vale ressaltar que neste dia a Senhora Márcia Ponce coordenadora da Pastoral do Migrante em Londrina, me acompanhou.
Na terça feira dia 30, fui a Arapongas, onde tem 18 haitianos trabalhando em supermercado, com os parentes do Padre Valdecir Molinari, cs. Naquele dia, quem me acompanhou para visitá-los, foi o Senhor Sebastião, tio do Pe. Valdecir. Na parte da tarde saí de Arapongas em direção a Rolandia onde tem um grupo de aproximadamente 30 haitianos, quase todos estão trabalhando em uma indústria de fraldas, fui primeiro na empresa, e na seqüência visitei o alojamento deles. Após está visita, retornei a Londrina para um descanso.

 Na quarta feira dia 31, tivemos em Londrina a reunião de avaliação da Pastoral do Migrante no Regional Sul II do ano 2012, e planejamento para 2013. Participaram Dom Laurindo como assessor episcopal  e  Cleonice Machado  representando a diocese de Foz do Iguaçu, Arquidiocese de Londrina esteve representada pelo assessor da Pastorais Sociais, Pe. José Alves, Márcia Ponce e demais participantes da região, a Arquidiocese de Curitiba estava representada por Lucia Bamberg, Elizete Santana,  e eu, Pe. Gustot Lucien. A diocese de Cascavel não pode participar nesse encontro, por estar com algumas dificuldades. O encontro aconteceu no Centro Pastoral e administrativo da Arquidiocese de Londrina, no inicio da reunião, Dom Orlando o Arcebispo de Londrina  nos deu palavras de boas vindas e incentivo. No fim deste encontro Lucia, Elizete e eu, partimos para Maringá, onde também por volta das 21:00 fomos visitar um grupo de meus compatriotas haitianos que trabalham na região metropolitana desta cidade (Paissandu),  no dia 01 de novembro, visitamos a empresa onde eles trabalham, na Carvoaria Arco Iris,   no fim de dia retornamos a Curitiba.

OBS: Encontramos todos bem, graças a Deus, com saúde, contentes trabalhando, mas com saudade de seus familiares.


Pe. Gustot Lucien, c.s

Fonte imagem: da internet