sábado, 30 de agosto de 2014

Udesc oferece formação a estrangeiros de países em desenvolvimento

A vida do timorense Domingos Sebastião Guterres mudou completamente em fevereiro de 2013. Aprovado em um rigoroso processo seletivo em seu país, ele viajou mais de 17 mil quilômetros para cursar graduação em Administração Pública em Florianópolis, na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
A oportunidade surgiu por meio do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que oferece vagas em universidade brasileiras a estrangeiros de países menos desenvolvidos – e que desde 2003 já trouxe cerca de 60 estudantes à Udesc.

Dizendo-se  tranquilo, Domingos conta que, no início, a adaptação às aulas no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) foi muito difícil, especialmente pela dificuldade com o idioma.
Apesar de o Timor Leste ter sido colônia portuguesa, a barreira da linguagem já era esperada: 36 idiomas diferentes são usados no país, entre eles o indonésio e o tetum (a língua oficial, junto com o português).

Domingos cresceu aprendendo essas três línguas além do midiki, idioma familiar no subdistrito onde cresceu (Venilale, no Distrito de Baucau) no pequeno país do sudoeste asiático.

Para auxiliar na adaptação, como primeiro compromisso ao chegar a Florianópolis, ele e outros 15 conterrâneos fizeram um curso de três meses de língua portuguesa na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Desse grupo, outra estudante, Natalina Mendonça Ribeiro, também se matriculou na Udesc, no curso de Medicina Veterinária, ofertado no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), em Lages.

Os dois estão no quarto termo e devem retornar ao Timor Leste após concluir a graduação, com o compromisso de aplicar seus conhecimentos para ajudar no desenvolvimento do país natal.

Segundo Domingos, um novo grupo de 84 estudantes timorenses deve chegar ainda este ano a Santa Catarina.

Bolsas de apoio

Para cobrir as despesas no Brasil, muitos estudantes beneficiados pelo PEC-G recebem bolsas de estudos de seus países de origem, como nos casos dos timorenses. O governo brasileiro também dispõe de programas de apoio para estudantes, com base no mérito e na situação socioeconômica.

Mas, segundo a responsável pelo apoio aos estudantes estrangeiros da Udesc, Lorieti Nardelli da Luz, a condição social dos estrangeiros beneficiados pelo convênio costuma variar bastante e nem todos precisam de auxílio.

Aos que precisam, é possível recorrer na Udesc a diferentes bolsas de graduação – auxílio permanência, apoio discente, extensão, pesquisa – além do estágio remunerado.

Neste semestre, Domingos começou a atuar à tarde como bolsista de apoio discente na Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade (Proex), no mesmo prédio da Udesc Esag, onde estuda de manhã.
Programa federal

Desenvolvido em conjunto pelos ministérios das Relações Exteriores (MRE) e da Educação (MEC), o PEC-G traz anualmente ao Brasil cerca de 500 estudantes estrangeiros, aos quais são oferecidos ingresso facilitado e vagas gratuitas em cursos de graduação de universidades brasileiras.

A maior parte dos estudantes beneficiados é vem de países da América do Sul, da África e da Ásia. A Udesc oferece uma vaga por curso a cada ano – que nem sempre é ocupada – e quase todos os centros de ensino já receberam alunos pelo programa.

Os primeiros estrangeiros chegaram em 2003, do Paraguai, e frequentam ou já frequentaram aulas na universidade estudantes de Honduras, México, Equador, Colômbia, Congo, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, entre outros.

Fonte: http://www.sc.gov.br/index.php/mais-sobre-educacao/9610-udesc-oferece-formacao-a-estrangeiros-de-paises-em-desenvolvimento
Estrangeiros buscam trabalho e qualidade de vida em Santa Catarina 


 Veja mais em: http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/191014-estrangeiros-buscam-trabalho-qualidade-de-vida-santa-catarina.html. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014


EMPRESA DONA DA SADIA E PERDIGÃO É CONDENADA POR TRABALHO ESCRAVO

Jornadas excessivas e contaminação da água estão entre as irregularidades analisadas pela Justiça
Por Redação
A BRF – dona de marcas como Sadia, Perdigão, Batavo e Elegê – foi condenada a pagar indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 1 milhão por manter trabalhadores em condições análogas às de escravos em uma fazenda no município de Iporã, no noroeste do Paraná. A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-9) em julho e divulgada nesta semana pelo Ministério Público do Trabalho (MTP).
A fiscalização teve início em 2012, quando o MTP constatou graves irregularidades trabalhistas nas atividades de reflorestamento realizadas em uma fazenda arrendada pela empresa. De acordo com informações do órgão, os problemas encontrados iam desde jornadas excessivas e condições precárias dos alojamentos até a contaminação da água fornecida aos empregados para consumo.
No processo, a BRF alegou que as atividades eram feitas por uma firma terceirizada, o que a isentaria de qualquer responsabilidade. Porém, a Justiça entendeu que a empresa deveria ser condenada porque também é responsável pela garantia de um ambiente de trabalho saudável. Além do pagamento de indenização, ainda deverá cumprir obrigações, garantindo a higiene, saúde e segurança dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, prestem serviços a ela.
Em nota, a BRF afirma que “não tolera qualquer tipo de tratamento inadequado, antiético ou que contrarie as leis vigentes para relações trabalhistas”. Além disso, a empresa informou que já recorreu da decisão. Se confirmada, a indenização será destinada à compra de veículos e equipamentos para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) utilizar em fiscalizações na zona rural.
FONTE: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/08/empresa-dona-da-sadia-e-perdigao-e-condenada-por-trabalho-escravo/

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Bispo emite documento lamentando manifestações contra imigrantes em Caxias do Sul

Nota oficial do Bispo Dom Alessandro Ruffinoni foi divulgada na última terça-feira, dia 19

Bispo manifestou seu lamento quanto a depoimentos. (Foto: Pastoral dos Migrantes).
Bispo manifestou seu lamento quanto a depoimentos. (Foto: Pastoral dos Migrantes).
As manifestações de quatro caxienses foram dadas durante reportagem veiculada em um programa televisivo com alcance nacional no último domingo, dia 17. De acordo com o Bispo de Caxias do Sul, Dom Alessandro Ruffinoni, os depoimentos colidos pela produção da reportagem, todos negativos, foram preconceituosos e determinados a atingir aos cerca de três mil imigrantes que hoje vivem na cidade gaúcha e região, um público distinto entre haitianos, senegaleses e ganeses.

A nota oficial divulgada pela Diocese na última terça-feira, dia 19, lamenta as posições negativas e reafirma o compromisso da Igreja Católica na Diocese, pelo seu comprometimento e ajuda aos imigrantes que chegaram ao município nos últimos anos e meses. Para Dom Alessandro, é preciso muito cuidado com as declarações ou julgamentos, já que a opinião de alguns não, necessariamente, representa o que pensam milhares de caxienses. "Eu achei oportuno manifestar porque diante do Brasil também parece que nós de Caxias não queremos ser hospitaleiros, não queremos acolher os imigrantes, temos medo das pessoas que vem de fora. Então acho que não é, penso, a atitude do nosso povo de Caxias do Sul", completou Ruffinoni. 

Fonte: http://redesul.am.br/N/G/152258
Acompanhe, em áudio, matéria do repórter Tales Armiliato falando sobre a nota oficial divulgada pela Diocese de Caxias do Sul na terça-feira, dia 19.
por Tales Giovani Armiliato , dia 20/08/2014 às 09:58

CAMINHO DO IMIGRANTE

“Não fui eu quem escolheu Passo Fundo, foi Passo Fundo que me escolheu” imigrante do Senegal, Mamour Ndiaye encontrou no município gaúcho a esperança de uma vida melhor.
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.“Eu vim sem dinheiro, com 37 reais no bolso.”
Mamour Badiane Ndiaye, de 35 anos, há cinco encontrou em Passo Fundo oportunidade de emprego e de uma vida melhor. Mas vida de imigrante não é fácil, a prática iniciou em 1530 com a vinda dos portugueses ao Brasil e não parou de se intensificar. No caminho do imigrante a vida é imprevisível. “Tive dinheiro para pagar duas diárias em um hotel, era 15 reais a diária.” Mas, quando o dinheiro acabou, foram quinze dias dormindo nos bancos da rodoviária de Passo Fundo. “Eu tenho mão, eu tenho cabeça, eu prefiro lutar. Prefiro dormir duas, três ou quinze noites na rodoviária e de manhã cedo eu entro nos banheiros, lavo a cara e vou atrás de trabalho. Quem procura acha. Se você quer ir pra frente, você vai mesmo. Você não depende de braço de um ou de outro.” E assim, o senegalês seguiu, até juntar dinheiro para poder voltar ao hotel.
Mamour Ndiaye é um entre as centenas de imigrantes senegaleses que Passo Fundo acolhe atualmente. Desde 2009 na cidade, ele já conseguiu melhorar de vida, hoje é comerciante, vende esculturas em madeira, vindas da África, e gerencia uma lan house, lugar em que “seu povo”, como costuma tratar os conterrâneos do Senegal, mantêm o contato com a família.
Passo Fundo, porém, não estava nos planos de Mamour. Depois de pouco mais de um ano viajando e procurando um lugar ao sol, quando estava na Argentina, ouviu falar da terra do Teixeirinha. Num primeiro momento, ouviu dos hermanos que a documentação no município era obtida com mais rapidez e quando chegou aqui, além dos documentos encontrou emprego e esperança. “Eu cheguei aqui com Deus e foi Deus quem me ajudou”. Na época, vigorava no Brasil a Lei da Anistia e através dela o senegalês pediu sua permanência no Brasil. Chegou falando três línguas oficiais – inglês, francês e espanhol – e mais os dialetos africanos; hoje, já domina o português e ajuda os conterrâneos que continuam chegando na cidade, a conseguirem emprego e documentos.
Do Senegal ao Brasil1
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“Fiquei sem comer nada, durante muito tempo, mas o estômago não fala. Quem de vocês pode falar se eu tomei café hoje de manhã?” questiona, desafiador. Quando saiu do Senegal, Mamour buscava conhecer outra cultura e melhorar a vida para poder ajudar a mãe e os irmãos que ficaram no país, mas não foi fácil. “A imigração é uma opção. É difícil. Você tem que saber aguentar. A imigração é uma universidade da vida. Você aprende a viver.” Apesar da realidade do Senegal e do Brasil ser diferente, se adaptar a uma nova cultura é fácil: o difícil é as pessoas da cidade se adaptarem ao novo, ao povo senegalês. “O que estamos fazendo hoje aqui em Passo Fundo é aprender, estamos tentando mostrar ao povo passo-fundense que nós, também, podemos” diz o comerciante.
Foto: Giseli Furlani (Nexjor FAC/UPF)Quando morava no Senegal, Mamour trabalhava como marceneiro, em Passo Fundo já foi carpinteiro, construtor e feirante, até montar sua loja. A ligação com a cidade hoje, não é apenas de gratidão – ele tem uma filha de três anos, Mere Soda Ndiaye, que é passo-fundense. “Ela é brasileira, tem passaporte brasileiro” comenta. Além dele e da filha, sua mulher, Khady Diown também está em Passo Fundo, e é uma das duas mulheres senegalesas na cidade – chegou aqui seis meses depois do marido.
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“Os negros tem que se manterem fortes”
Martin Luther King, Barack Obama, Nelson Mandela, Joaquim Barbosa, Bob Marley, Pelé. Todos negros. Para Mamour, os homens mais sábios do mundo são negros e as pessoas tentam não enxergar. Embora o senegalês diga que Passo Fundo seja uma boa cidade para morar, sofre com o preconceito todos os dias. “A raça branca acha que é superior à raça negra, mas não é. Deus sabe que não é. Vocês podem me falar que sabem que não são superiores, mas eu não sei o que passa no seu coração. Eu não posso julgar, ninguém pode julgar” desabafa, referindo-se ao ainda difícil relacionamento com a população passo-fundense.
Segundo ele, cerca de 300 senegaleses vivem na cidade. O número pode não ser percebido no dia-a-dia, porque muitos se locomovem apenas do trabalho para casa. E quando o preconceito os assombra, chorar é uma das formas para aguentar e continuar no rumo dos seus sonhos de uma vida melhor. O senegalês lamenta que enquanto o pensamento dominante não muda “o mundo estará terminantemente em guerra”. Ele não fala por falar: tem exemplos. “Há alguns dias eu entrei em uma pizzaria e o vigilante não queria me deixar entrar. Era uma pizza que valia 48 reais e ele achou que eu não poderia pagar. Eu estava vestido de africano, porque não tenho complexo disso, não tenho problema em usar as roupas africanas, se eu me sinto bem com essa roupa, eu vou usar essa roupa. Se fosse qualquer branco entrando na pizzaria, eles abririam a porta e o atenderiam, para mim, eles pediram ‘o que eu queria’. O que se quer quando se vai a uma pizzaria?”
Mamour, no entanto, não cogitou processar o restaurante. “Eu conheço os meus deveres e os meus direitos. Eu sou um homem livre, tenho liberdade, eu não sou um escravo. Os negros tem que se manterem fortes” declara.
Em cinco anos, Mamour voltou duas vezes ao Senegal, e o que arrecada no Brasil, divide com a família e amigos que veem nele uma forma de esperança. “Deus sempre escolhe o melhor para a gente” afirma o imigrante que, mesmo longe 6,264 km da terra natal, acredita que Passo Fundo possa continuar mudando a sua vida e a de muitos senegaleses que ainda estão por vir.
Fonte: http://www.upf.br/nexjor/?p=30825

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os novos imigrantes sob a ameaça dos coiotes

Traficantes de pessoas chegam a cobrar US$ 2 mil para trazer haitianos, que também sofrem extorsão de policiais e taxistas no Peru e na Bolívia. Rede de corrupção inclui venda de vistos e outros documentos falsificados


Os novos imigrantes sob a ameaça dos coiotes Diego Vara/Agencia RBS
"Por sorte, eu tinha dinheiro, mas muitos haitianos que ficam na mesma situação são obrigados a passar fome", diz RoldyFoto: Diego Vara / Agencia RBS
Falar com os novs migrantes radicados no Rio Grande do Sul (personagens de reportagem especial publicada na ZH deste domingo) também é colher testemunhos de um martírio. Quase todos penaram no caminho até o Brasil, sobretudo os que ingressaram pelo Acre, na fronteira com o Peru. São frequentes os relatos de extorsão por parte de coiotes – traficantes de seres humanos – e da polícia estrangeira, além de casos de estupro.
Wilkenson Samsom, 19 anos, vive com o pai em Encantado. Ambos trabalham em frigorífico da Dália Alimentos. Para realizar o sonho da vida melhor, o jovem teve de pagar US$ 300 a coiotes e policiais peruanos. Situação semelhante ocorreu com Roldy Julien, 25 anos, presidente da Associação Haitiana de Encantado. Ele fez a rota da maioria dos seus compatriotas: foi até Quito, no Equador, e lá tomou um ônibus que atravessou parte do país, ingressou no Peru e chegou até a fronteira do Brasil, entrando pelo Acre.
No Peru, com quatro amigos, foi extorquido duas vezes. Na primeira, o quarteto teve de pegar 500 sóis (moeda peruana) e mais US$ 300. Receberam um salvo-conduto. Dias depois, perto do Brasil, foram abordados novamente. Veio a notícia de que o papel que tinham em mãos já não valia mais. Dessa vez, Julien foi forçado a pagar sozinho a quantia de US$ 200. Seu passaporte ainda ficou apreendido por uma semana, tempo em que ele precisou se desdobrar com o dinheiro que lhe restava para garantir teto e comida.
— Não sei se tem ladrão no Peru. Mas parece que a polícia é pior — desabafa Julien, que, no Rio Grande do Sul, perdeu três dedos da mão direita em um acidente de trabalho.
Os relatos se repetem desde 2010, quando explodiu a nova imigração para o Brasil. Em maio de 2011, 20 haitianos recorreram à Polícia Federal em Tabatinga (AM), denunciando um compatriota deles chamado Repert Julien, 28 anos, que teria descumprido promessa de hospedagem paga por eles. Em 5 de julho daquele ano, os federais prenderam Julien, que cobrava até US$ 2 mil para trazer haitianos do Peru ao Brasil. Foi o primeiro inquérito de uma série.
No Acre, foi preso em abril de 2013 o jogador de futebol haitiano Innocent Olibrice, quando tentava embarcar no aeroporto de Rio Branco um garoto de 13 anos, haitiano, para Macapá (AP). Innocent, que atuava num time acreano e foi solto cinco dias depois, responde a processo judicial por tráfico de pessoas e estelionato. De acordo com as investigações da PF, o atleta está envolvido numa rede de coiotes. Ele foi contratado pela família do menino para encaminhá-lo à Guiana Francesa ao custo de 500 euros (o equivalente a cerca de R$ 1,5 mil).
Innocent negou a acusação, mas é processado. A pena para o tráfico é de um a três anos de reclusão e expulsão do país. A socióloga Letícia Mamed entrevistou dezenas de migrantes no Acre e constatou: a fuga em razão da falta de trabalho, educação, saúde, habitação e segurança no seu país de origem impulsiona a migração. No Haiti, por exemplo, parece ter se estruturado um negócio com despachantes, falsificadores, aliciadores e coiotes no processo de agenciamento. Relatos também informam existir naquele país a venda de vistos e outros documentos falsificados, inclusive supostas facilidades que prometem acelerar a viagem. Algo que aumentou após o terremoto de 2010.
Na viagem ao Brasil, os haitianos pagam entre US$ 2 mil e US$ 5 mil (valor semelhante ao cobrado de ganeses entrevistados por ZH em Criciúma e em Caxias do Sul). E são vítimas frequentes de extorsões praticadas por policiais e taxistas, sobretudo peruanos e bolivianos. Letícia estima que, de 2010 a 2014, os haitianos já teriam gasto cerca de R$ 6 bilhões em pagamentos à rede de tráfico e corrupção estruturada para chegar ao Acre.
E não só haitianos. Em torno de 16 diferentes nacionalidades já passaram pelo acampamento montado pelas autoridades acreanas na fronteira com o Peru. Todos mostram receio em falar sobre os contatos, a organização do percurso, os agentes contratados e a realização da viagem em si. E quando decidem falar sobre o assunto, geralmente as explicações são pactuadas pelo grupo antes da exposição ao interlocutor.

Empresas agilizam os vistos e arranjam emprego aos migrantes
A vigorosa migração de africanos e centro-americanos para o Brasil tem rendido lucros a dois tipos de empresas: as que se especializam em legalizar a situação dos imigrantes e as que prometem colocá-los no mercado de trabalho. O primeiro serviço é o mais urgente – sem ele, o forasteiro fica clandestino. O segundo é necessário para viabilizar financeiramente a permanência do estrangeiro no país. Esse tipo de intermediação é permitido pela lei.
Em Criciúma, maior polo de atração de ganeses para o Brasil, Zero Hora recebeu a informação de que uma das empresas que legaliza a situação de estrangeiros é a Fullvisa, de Brasília. O site da firma anuncia alguns dos serviços oferecidos: visto temporário para quem tem trabalho no Brasil, transformação do visto temporário em permanente, solicitação de permanência definitiva com base em casamento com brasileira (o). No item Nossa Visão, a Fullvisa não esconde a meta: “Atingir a liderança no mercado nacional de imigração de estrangeiros”.
Como a Fullvisa se localiza em Brasília, torna-se mais fácil e ágil a entrada, acompanhamento e eventuais visitas aos órgãos responsáveis pela análise dos pedidos de visto, uma vez que estes se encontram na Capital Federal – justifica a empresa, que atua há 10 anos.
Proprietário da Fullvisa, o administrador de empresas Charliston Ferreira admite que seu ganha-pão é a legalização de estrangeiros, mas nega que priorize a nova onda de migrantes africanos e centro-americanos. Trabalha mais com auxílio a empresas europeias e americanas que pretendem trazer seus funcionários para o Brasil, para pequenas ou grandes temporadas.
– Agimos como despachantes especializados em estrangeiros. Atuamos em processos administrativos junto ao Ministério do Trabalho, requisições de visto à Polícia Federal. Conseguimos legalizar a situação de algumas centenas por ano – diz Charliston, que aprendeu o ofício nos EUA.
Agência ganha a cada empregado
Outra empresa que atua na legalização de estrangeiros é a Overseas, com sede em São Paulo. O foco é em grandes empresas multinacionais que precisam estabilizar a vida de seus funcionários estrangeiros no Brasil, mas também legaliza novos migrantes caribenhos e africanos. Há poucos dias, a Overseas conseguiu agilizar vistos para 20 haitianos que atuam num supermercado e em duas firmas de construção civil. Foi contratada pelas empresas, não pelos migrantes.
– Prestamos consultoria, ensinamos os caminhos mais ágeis – resume Mateus Valério, gerente da Overseas.
Nem ele, nem o dono da Fullvisa revelam valores cobrados.
Fábrica de móveis contrata migrantes via agência que atua há 21 anos na Serra. Foto: Diego Vara, Agência RBS

O passo seguinte, para o migrante, é conseguir serviço. É aí que entram empresas como a Talentum, agência de empregos que atua há 21 anos na região serrana do Rio Grande do Sul. No ano passado, eles arranjaram serviço para 80 migrantes africanos e caribenhos. Foram trabalhar em indústrias de sucos, de móveis, autopeças e limpeza. O recrutamento e seleção exige que pelo menos um do grupo de migrantes fale português ou espanhol. Ele será o guia dos demais nas negociações de trabalho. E qual o ganho da Talentum?
– Cobramos do empresário que vai dar emprego aos migrantes 50% do primeiro salário de cada um dos novos empregados. É uma taxa padrão – informa Ricardo Soldatelli Borges, proprietário da Talentum, que é psicólogo e ajuda a fazer a triagem. – O valor não é deduzido dos contracheques.
Borges se orgulha dessa atividade e diz que desconhece reclamações quanto à qualidade do serviço prestado pelos migrantes:
– Com a presença dos estrangeiros, diminuíram as queixas quanto a faltas ao serviço e empregados doentes.
Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/08/os-novos-imigrantes-sob-a-ameaca-dos-coiotes-4577705.html

sábado, 16 de agosto de 2014

Os novos imigrantes no RS


As crises e recentes restrições para entrar nos Estados Unidos e Europa tornaram o Brasil em um novo destino para os migrantes africanos, caribenhos e asiáticos que buscam uma vida melhor. A maioria deles entra no Brasil de forma ilegal e, depois, faz o pedido de refúgio alegando questões humanitárias ou perseguições em seu país de origem.  Os novos migrantes, em maioria, são do Haiti, Senegal, Bangladesh, Gana, República Dominicana e Angola. No Brasil, os principais destinos dos novos migrantes são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Confira as histórias dos estrangeiros que vivem no Rio Grande do Sul.


Assista o video, acesse o link:

Fonte: http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/geral/2014/08/novos-imigrantes/91537/