quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Os novos rostos da imigração, apresentados há um ano em reportagem de ZH, passam por desilusão. Precisam enfrentar a disputa por trabalho e o preconceito. Poucas são as histórias de sucesso. Muitos querem retornar a seus países Haitianos que migraram ao Rio Grande do Sul em busca do eldorado, as famílias de Diufene, Oline e Sajele têm mais em comum do que a nacionalidade: estão decididos a ir embora do Brasil, seja para tentar sucesso em outro país ou retornar à terra natal. A crise corroeu o sonho brasileiro.Caribenhos e africanos chegaram esperançosos e conseguiram viver bons dias até o aprofundamento da instabilidade econômica e política. Agora, são atormentados por desemprego, salário baixo, dólar alto, sub-habitação e marginalização. O último levantamento divulgado pelo Ministério da Justiça, publicado em agosto passado, indica que, desde 2011, quando houve a explosão migratória, ingressaram no Brasil 45.607 haitianos. Parcela significativa já foi embora. – Ao mesmo tempo em que recebemos imigrantes, muitos estão saindo do Brasil. Cerca de 10 mil haitianos deixaram o país. Não necessariamente para voltar ao Haiti, mas para procurar outras nações. Muitos têm ido ao Chile. Eles saem pelas dificuldades que encontram e, principalmente, pela frustração que experimentam na vinda ao Brasil – analisa o padre Lauro Bocchi, diretor do Centro Ítalo-Brasileiro de Assistência e Instrução às Migrações (Cibai Migrações), instituição vinculada à Paróquia da Pompeia, em Porto Alegre.
Diufene Dumerjuste mora em Bento Gonçalves, na Serra, há mais de três anos. Em fevereiro de 2014, trouxe do Haiti a mulher, Beatrice, e a filha Joice. Ela jamais conseguiu emprego. Em abril deste ano, tiveram a segunda filha: Mari Claire Angelica, uma brasileira.








Trabalhando em uma metalúrgica, Diufene recebe R$ 1,2 mil ao mês. Seu salário será rebaixado até o final do ano porque a empresa fez um acordo de redução de jornada, decorrência da crise. Com o que ganha, paga R$ 600 de aluguel - a metade da sua remuneração total -, sem contar gastos com água, luz, alimentação e vestuário da família de quatro pessoas.
– Não levamos uma vida boa, bastante gente quer ir embora. Pedi para ser demitido até janeiro. Com o dinheiro da rescisão, voltarei ao Haiti. Mas não me prometeram nada – lamenta Diufene, que, em uma gélida noite de setembro em Bento Gonçalves,  recebia em sua casa dois compatriotas que chegaram há meses ao país, mas seguem desempregados.
Com a alta da moeda americana, o imigrante não consegue mais mandar dinheiro e ajudar a família que ficou para trás - são necessários muitos reais para comprar poucos dólares. E esse sempre foi um dos principais objetivos da aventura no Brasil.
Em Marau, Oline Desruisseaux e Sajele Rodrigue também querem fazer as malas. Oline trabalha em uma padaria, na área de serviços gerais. Sua irmã, Nadesh, chegou ao Brasil só em novembro de 2014. Foi contratada para trabalhar em um frigorífico, em Mato Castelhano, distante poucos quilômetros de Marau. A mulher de Sajele era empregada do mesmo abatedouro de suínos.
Em agosto, a indústria fechou as portas. Segundo o Sindicato da Alimentação de Tapejara, que atende a região, problemas de higiene e de segurança do trabalho estiveram entre as motivações. Os funcionários foram mandados para casa, sem receber nenhum valor rescisório. Por questões burocráticas, sequer conseguiram encaminhar o seguro-desemprego.
Dificuldades de comunicação deixam os haitianos perdidos, não sabem a quem recorrer para cobrar o frigorífico. Essa é outra face cruel da imigração: ingênuos e alheios às labirínticas leis brasileiras, são frequentemente ludibriados.
Oline, com seu salário de R$ 1 mil, sustenta a irmã e a filha Ana e paga aluguel, luz, água e alimentação.
– Passei dois anos aqui, pensei que tudo melhoraria, mas só piorou. Não posso ficar mais. Antes, precisava de R$ 230 para mandar US$ 100 ao Haiti. Hoje, preciso de R$ 440 para os mesmos US$ 100. Decidi voltar. Agora é juntar dinheiro para a passagem, que está custando R$ 5 mil – diz Oline.
Há pouco mais de um ano, quando ZH esteve em Marau para produzir a reportagem Os Novos Imigrantes, Oline tinha a pequena Ana nos braços, recém-nascida, e depositava esperança no sonho brasileiro. Tudo mudou radicalmente em apenas uma porção de meses.
Sajele está desempregado, faz bicos de pedreiro, mas poucas oportunidades surgem com a desaceleração da construção civil. Insistentemente, aponta para um Uno cor de vinho estacionado próximo do centro de Marau e expõe o seu plano.
– Aquele auto é meu. Se me derem R$ 4 mil, vendo. Primeiro, mando minha mulher de volta ao Haiti. Depois, dou um jeito de comprar a minha passagem.
Família de Diufene vive em Bento Gonçalves, mas está decidida a voltar ao Haiti
Presidente da Associaçåo de Haitianos de Bento Gonçalves, Ronald Dorval diz que 350 compatriotas estão desempregados na cidade
Levantamentos do Cibai Migrações e da seção gaúcha de Mobilidade Humana da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) indicam que 13,7 mil imigrantes caribenhos e africanos estão vivendo no Rio Grande do Sul, a maioria na Serra, no Planalto e nos vales do Taquari e do Rio Pardo. Cerca de 9 mil são haitianos, 4 mil são senegaleses e os demais se dividem entre naturais de República Dominicana, Gâmbia, Gana e Bangladesh, além de alguns outros.
– Avaliamos que, entre os imigrantes, o desemprego está em 20% – diz o padre João Cimadon, coordenador do setor de Mobilidade Humana da CNBB no Estado.
Ainda são estimativas, mas as organizações ligadas à Igreja são as que contabilizam números mais próximos da realidade. Continua sendo com as instituições religiosas o principal vínculo dos imigrantes, seja no momento da acolhida inicial ou no pedido de ajuda rotineiro. O poder público apenas começa um trabalho de envolvimento. Os efeitos da crise também aparecem em dados do Sine no mês de setembro.
– Hoje temos 2.246 imigrantes de todas as nacionalidades cadastrados nas agências do Sine do Estado, mas sabemos que a maioria é de haitianos e senegaleses. Significa dizer que eles estão na informalidade ou desempregados – explica Juarez Santinon, presidente da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS).
Na rotina dos municípios, a virada no boom migratório é perceptível. Em Bento Gonçalves, viviam 1,7 mil haitianos até 2014. Neste ano, o número baixou para mil, conforme a prefeitura, amparada por dados da Polícia Federal. Para a associação de imigrantes local e a Paróquia Santo Antônio, 1,3 mil ainda estariam na cidade.
Com o desemprego, centenas partiram. Segurando listas nas mãos, Ronald Dorval, presidente da Associação de Haitianos de Bento Gonçalves, diz que 350 imigrantes do seu país estão desempregados por lá. Dados da prefeitura também preocupam: cerca de cem caribenhos - o que pode significar até 10% dos que estão no município - recebem Bolsa Família. É um indicativo de miséria, já que é preciso ter renda per capita mensal de até R$ 154 para obter o benefício.
– Acredito que a redução de imigrantes passa pela frustração deles, até de exercer um serviço pesado para o qual não foram capacitados. Muitos têm formação superior, a gente vê arquitetos e advogados pintando paredes ou na base da indústria. Hoje, existe um movimento de saída da cidade. Para essas pessoas, realmente acredito que o sonho não se tornou realidade – diz Guilherme Pasin (PP), prefeito de Bento Gonçalves.
Em Erechim, no norte do Estado, o número de imigrantes senegaleses foi reduzido de uma centena para 60 entre 2014 e 2015, conforme a Associação de Apoio aos Africanos em Erechim e Região (Asafer).
–Dos que ficaram, um grupo considerável está desempregado e foi para a informalidade – diz o professor e sociólogo Dirceu Benincá, que se uniu à direção da Asafer.
A adesão dos imigrantes às vendas ambulantes é crescente. Em Caxias do Sul, nos arredores da Praça Dante Alighieri, contígua à imponente catedral, estão amontoados pelas calçadas. Em seus tabuleiros ou caixas de papelão, expõem meias, toucas, luvas, relógios, cintos, carteiras, anéis reluzentes e uma enormidade de bijuterias.
Em uma tarde fria de setembro, somente em uma quadra da Avenida Júlio de Castilhos, em frente à praça, havia 13 ambulantes senegaleses e haitianos. Eles disputam a preferência dos clientes com os brasileiros que também dependem da atividade. Por vezes, homens se aproximam, cochicham algo aos ambulantes. Depois, desaparecem.
Enquanto isso, outros imigrantes passam o tempo, mexem no celular, conversam em rodas, fitam o horizonte vazio.
Nas pacatas e organizadas cidades de descendentes europeus, um movimento de marginalização dos estrangeiros se torna cada vez mais preponderante. Quem anda pelas simpáticas ruas de Encantado, de apenas 22 mil habitantes, no Vale do Taquari, não imagina que ali tenha uma periferia. Mas há. E os haitianos e dominicanos que trabalham no frigorífico Cosuel, em maioria, moram lá. É o bairro Navegantes, uma baixada alagadiça, com casebres de madeira, sujeira e entulho nas ruas. Também há tráfico de drogas e violência. Em Bento Gonçalves, os haitianos moram massivamente nos bairros Eucaliptos e Conceição, ambos periféricos. É o caso de Mistrale Lozin:– Moramos aos montes em uma casa. Já morei com nove. E também estão ocorrendo muitos roubos. Um amigo nosso saiu de casa para trabalhar e, quando voltou, tinham arrombado e levado notebook, documentos e mais um dinheiro. Se os imigrantes foram alcançados pelo desemprego, crise e violência, ainda há faces positivas da presença deles no Brasil. Os empresários estão satisfeitos com o comprometimento dos forasteiros. Assumem serviços pesados que, até então, estavam vagos devido ao desinteresse do brasileiro que conquistou qualificação e ascensão financeira.– Tivemos redução de pessoal em 2015, mas os chefes da fábrica sempre procuraram preservar o emprego dos 15 senegaleses que estão conosco. Gostam do trabalho deles, são habilidosos – diz Ana Paula de Zorzi Caon, gerente de recursos humanos da Saccaro Móveis, de Caxias do Sul. A maioria ainda está trabalhando, muitos deles empenhando parte do seu dinheiro para auxiliar com alimento e moradia os compatriotas desempregados. Os problemas econômicos do Brasil não farão cessar o fluxo migratório. – É um processo silencioso e lento. É provável que, com a crise, haja diminuição, mas não vai terminar. Por isso, não falo em onda migratória: é um movimento contínuo, com altos e baixos. Se o Brasil quer ser líder regional na política e na economia, terá de se abrir – diz Gabriela Mezzanotti, professora da Unisinos e coordenadora de uma cátedra da ONU que estuda os refugiados.
Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/especiais-zh/zh-sonhos-partidos/index.html

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Seminário em SC vai debater migrações contemporâneas; veja programação

Estado que contou com forte presença da imigração histórica, Santa Catarina também se vê diante dos desafios trazidos pelos deslocamentos humanos atuais.
Entender melhor essa realidade e debater formas de ação (acadêmica e prática) são dois dos objetivos do “I Seminário Migrações Contemporâneas e Direitos Fundamentais de Trabalhadores e Trabalhadoras em Santa Catarina”,  que acontece em Florianópolis entre os dias 6 e 7 de outubro, na Assembleia Legislativa do Estado (ALESC).
O evento destina-se a imigrantes, refugiados e suas associações, profissionais dos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social), profissionais da saúde e da educação, sindicatos, estudantes e público em geral.
Na pauta, estão políticas públicas de acolhimento aos imigrantes, direito ao trabalho decente, à saúde e à educação. O encerramento contará com palestra de Frei Betto, que falará de Direitos Humanos no Brasil – com especial atenção à inserção social digna dos imigrantes.
ALESC vai receber seminário sobre migração contemporânea em SC. Crédito: ALESC
ALESC vai receber seminário sobre migração contemporânea em SC.
Crédito: ALESC
O seminário é gratuito e vai fornecer certificado para os participantes. Para isso, basta fazer a inscrição via internet neste link.
Financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), o seminário é organizado por: Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT-SC), Observatório das Migrações de Santa Catarina, Pastoral do Migrante de Florianópolis, Grupo de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Florianópolis (GAIRF) e Comissão de Direitos Humanos da ALESC. Também apoiam o evento o Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED) e o Laboratório de Relações de Gênero e Família (LABGEF), ambos da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).
Programação
06/10 – Terça-feira
09:00 às 12:30: Reunião do Fórum das Associações de Imigrantes em Santa Catarina
13:30 às 14:00  –  Mesa de Abertura:
– Deputado Dirceu Dresch, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALESC
– Marcelo Goss, Procurador-Chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 12ª Região
– Ângela Albino, Secretária de Assistência Social do Estado
– Alexandre Karazawa Takaschima, Juiz – Corregedor do TJ-SC
– Representante de Associação de Migrantes
– Pe. Joaquim Roque Filippin, coordenador da Pastoral do Migrante de Florianópolis
– Fernando Damazio, representante do Grupo de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Florianópolis
– Professora Gláucia de O. Assis, coordenadora do Observatório das Migrações de SC/UDESC
14:00 às 15:30 – Avanços e desafios nas Políticas Públicas de acolhimento aos imigrantes
– Pe. Joaquim Roque Filippin, coordenador da Pastoral do Migrante de Florianópolis
– Paulo Illes, Coordenador de Políticas para migrantes, da Secretaria Municipal de Direitos – Humanos e Cidadania de São Paulo, da Prefeitura Municipal de São Paulo
– Ângela Albino, Secretária de Assistência Social, Trabalho e Habitação de SC.
15:45 às 17:00 – Debates
07/10   –  4ª feira
09:00 às 11:30 – Documentação e cidadania
– Representante da Polícia Federal (a confirmar)
– João Guilherme Granja, Diretor do Departamento de Estrangeiros (DEEST), Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Justiça (SNJ)
– Mauricio Pessutto,  Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Ministério Público Federal
– João Vicente Pandolfo Panitz,  Defensoria Pública da União
10:45 às 11:30 – Debates
13:00 às 15:45 – Condições, direitos trabalhistas e saúde do trabalhador imigrante
– Cristiane Sbalqueiro Lopes, Procuradora do Trabalho, Coordenadora do Grupo de Trabalho,  Migração e Trabalho da Procuradoria Geral do Trabalho
– Roberto Ruiz, Representante da UITA – União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação
– Deisemara Turatti Langoski, Representante do Centro de Referência em Direitos Humanos Marcelino Chiarello, Universidade Federal da Fronteira Sul.
– Idemar Antonio Martini, Representante da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina
14:50 às 15:45 – Debates
16:00 às 17:40 – Educação e Integração: Avanços e desafios da inserção dos migrantes
– Secretário Eduardo Dechamps – Secretaria de Estado de Educação  (a confirmar)
– Prof. Daniela Carvalho – Pró-reitora de Ensino IFSC
– Mariah Teresinha Nascimento –  Representante da Faculdade Municipal de Palhoça
– Sandra Bordignon – Universidade Fronteira Sul e PROHAITI Educação –
17:40 às 18:10 – Debates
18:15 às 19:15 – Plenária Final
Contornos gerais da Carta de Florianópolis
19:30 – Conferência de Encerramento –  Frei Betto
“I Seminário Migrações Contemporâneas e Direitos Fundamentais de Trabalhadores e Trabalhadoras em Santa Catarina”
Data e hora: 6 e 7 de outubro, a partir das 9h
Local: Assembleia Legislativa de SC –  Palácio Barriga Verde
Rua Dr. Jorge Luz Fontes, 310 – Centro, Florianópolis (SC)
Entrada: gratuita
Informações: seminariomigracoes@gmail.com ou acesse aqui
Com informações do MPT-SC
Fonte: http://migramundo.com/2015/09/29/seminario-em-sc-vai-debater-migracoes-contemporaneas-e-direitos-fundamentais/

 FESTA LATINO AMERICANA VAI REUNIR IMIGRANTES QUE VIVEM NO PARANÁ

Vejam reportagem:
https://www.youtube.com/watch?t=13&v=OzKxWMX5eq8

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Aulas de língua portuguesa são oferecidas para os imigrantes senegaleses | Cáritas Diocesana de Rio Grande


foto0562
No dia 16 de setembro de 2015, deu-se início a mais um curso de língua portuguesa para estrangeiros na cidade do Rio Grande, RS, coordenado pela Pastoral do Migrante, em parceria com a Cáritas Diocesana de Rio Grande, Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e o Instituto Federal do Rio Grande do Sul.
A ação objetiva oportunizar, em especial, aos migrantes senegaleses que se encontram na região o aprendizado do idioma para que possam acessar um emprego, seus direitos e interagir com a comunidade. Acredita-se também que na medida que dominarem o idioma, podem assimilar melhor a cultura, os hábitos e exprimir suas necessidades frente às diversas situações que se deparam no decorrer do processo de adaptação e permanência no nosso país.

foto0580
Saiba mais sobre a Cáritas Brasileira – Regional do Rio Grande do Sul clicando aqui.
Fonte: http://rs.caritas.org.br/novo/aulas-de-lingua-portuguesa-sao-oferecidas-para-os-imigrantes-senegaleses-caritas-diocesana-de-rio-grande/3737

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Quero voltar para casa', diz senegalês queimado enquanto dormia no RS

 
Após três homens atearem fogo em Cheikh Oumar Foutyou Diba, 25, no sábado (12), em Santa Maria (RS), o imigrante senegalês disse à reportagem que quer voltar para seu país. 
Diba saiu de Santa Maria na terça (15) e está morando temporariamente na casa do presidente da Associação de Senegaleses de Caxias do Sul, Abdou Lahat Mdiaye, 27, conhecido como Billie. Os dois não se conheciam. 

"Estou sentindo muita tristeza e não gosto de lembrar [do crime]. Estou tomando remédio para os machucados e, por enquanto, estou bem. Não consigo falar muita coisa", disse Diba, por telefone. Ainda abalado com o ataque, o rapaz não quis receber a reportagem na casa em que está vivendo. 

Segundo ele, sua maior preocupação é com a família que ficou no Senegal, porque notícias sobre o ataque estão sendo veiculadas em jornais, rádios e televisões do país africano. 

De acordo com Billie, a foto de uma pessoa queimada está circulando nos veículos de comunicação como se fosse de Diba. 

"Conversei com a minha mãe para dizer que estou bem, para ela não se preocupar. Mas ela está doente, tem problema de saúde", contou a vítima do ataque. 

'NÃO É NORMAL' 

Billie viajou de ônibus de Caxias do Sul, na serra gaúcha, até Santa Maria (a cerca de 320 km de distância) para buscar Diba. De lá, eles retornaram em um carro da Secretaria de Saúde de Santa Maria, com um funcionário e uma enfermeira para acompanhar Diba. 

Eles chegaram a Caxias na madrugada desta quarta (16). "Ele me contou que quem fez isso com ele não vale nada e que não deve ser uma pessoa normal", disse Billie. Diba relatou ao novo amigo que não acredita que tenha sido vítima de preconceito. 

Para o presidente da associação, Diba se sentirá mais à vontade em Caxias porque a cidade possui uma comunidade de senegaleses maior que a de Santa Maria. 

"Ele vai se sentir melhor aqui, mais seguro. Sempre terá alguém para falar com ele", diz Billie, que é proprietário de uma movimentada loja no centro da cidade. 

No local, há diversas cabines telefônicas usadas principalmente por senegaleses e haitianos para ligar para seus países. A loja funciona como ponto de referência para os recém-chegados. 

"Quem chega agora se sente melhor. Ver que é possível abrir um negócio vai dar coragem, vai ser um estímulo [para os imigrantes]", conta Billie. O empresário está há três anos no Brasil e há um ano montou a Tuba Telefonia, que tem uma funcionária brasileira. 

O CRIME 
Diba dormia na rua quando acordou com o fogo e viu os homens correndo. Os bandidos roubaram seus tênis, R$ 500 e uma maleta com bijuterias que seriam vendidas pelo senegalês. O crime ocorreu por volta das 9h do dia 12 de agosto. 

O imigrante tentou dormir no albergue municipal, mas foi proibido de entrar. Uma assistente social informou que ele estaria alcoolizado, o que é proibido. Uma voluntária do Migraidh (Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional) da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no entanto, afirmou que o homem não parecia estar sob efeito de álcool. 

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Santa Maria, que tenta descobrir se o crime tem motivação racial. Diba prestou depoimento à polícia na tarde de segunda (14). (Folhapress)

FONTE: http://www.blogdouniversitarioafricano.com/2015/09/quero-voltar-para-casa-diz-senegales.html?spref=fb

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ENCONTRO DA REGIÃO SUL E SPM EM FLORIANÓPOLIS


No dia 14 de setembro de 2015, na paróquia Santa Terezinha em Florianópolis reuniram-se os representantes da Pastoral do Migrante da região sul para um encontro de formação e planejamento. Estiveram presentes dos três(3) estados varias representações, vindos de diversas cidades. O objetivo principal do encontro foi à integração e socialização dos trabalhos na região sul com e para os migrantes e a elaboração de nosso Plano de Ação 2016/2017. Tivemos uma boa acolhida dos padres Joaquim Filippin e Dirceu Bortolotti. Logo após foi realizada a espiritualidade pela equipe de Curitiba - Pr, dirigida pela Elizete Santanna, Ouvimos o evangelho e um texto do padre Alfredo Gonçalves, cs, Numeros, Fronteiras e Mentes e posteriormente feita reflexão. Na continuidade foi feita uma rodada de relatos sobre o potencial e limitações de nossos serviços com os migrantes por região. Seguidamente o sociologo Jurandir Zamberlan fez a análise de conjuntura da realidade migratória dos três estados do sul, mostrando a nova face da imigração na atualidade. E para falar do funcionamento da Pastoral do Migrante apresentaram-se os membros da Colegiada do SPM Nacional Padre Mario Geremia e  Jairo Moura que enfatizaram a trajetória dos 30 anos do SPM e a nova contextualização que se apresenta, o simbolismo da margarida e apresentação da nova metodologia de trabalho. Após o almoço iniciou-se a elaboração do plano de trabalho do Setor Imigrantes da Região Sul, a partir da análise da realidade e do diagnóstico trazido pelos participantes. Enfatizou-se a riqueza do momento e das discussões realizadas neste trabalho. Posteriormente foram feitos encaminhamentos para Assembleia do SPM em outubro próximo,  também foi tirada uma data para novo encontro da região Sul para 2016, o mesmo ficou agendado para os dias 13 e 14 de setembro, possivelmente na cidade de Chapecó, SC. Ainda tiramos alguns nomes como equipe de articulação para a região, um para cada estado, ficando a Elizete Santana para o PR, Tamajara da Silva para SC e o Pe. João Cimadon para o RS. Avaliação foi de um encontro produtivo com horizontes para continuar a caminhada. Rezamos a oração do Deus Itenerante e retornamos animados pelo encontro e  união que nos fortalece. 
Texto: Lucia Bamberg e Sandra Bordignon, fotografia Ir. Claudete Rissini

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

"Entre nós, ele está mais tranquilo", diz líder dos senegaleses em Caxias sobre jovem agredido em Santa Maria

A vítima chegou à cidade na noite de terça-feira

"Entre nós, ele está mais tranquilo", diz líder dos senegaleses em Caxias sobre jovem agredido em Santa Maria Ronald Mendes/Agencia RBS
Senegalês Cheikh Oumar Foutyou Diba (de moletom azul) prestou novo depoimento à Polícia Civil na tarde desta terça-feiraFoto: Ronald Mendes / Agencia RBS
O senegalês Cheikh Oumar Foutyou Diba, 25 anos, que teve parte do corpo queimada na manhã do último sábado foi recebido em Caxias do Sul por conterrâneos. Diba está na casa de senegaleses que se instalaram no centro da cidade. Ele chegou a Caxias no início da noite desta terça-feira, em um carro cedido pela Secretaria de Saúde de Santa Maria. Quem não desgrudou do amigo foi Aboulahat Ndiaye, 24 anos, o Billy, que se transformou em referência para os imigrantes que chegam por aqui. Diba está se recuperando com a companhia de Billy e de outros senegaleses, e preferiu manter-se distante da imprensa.

Ataque a senegalês em Santa Maria repercute nos setores públicos e políticos do país
— A família dele está muito preocupada no Senegal. A mãe está bastante abalada e só pede que ele retorne ao país — explica Billy.

A intenção, agora, é providenciar o retorno de Diba ao país de origem. Ainda não se sabe qual será a maneira mais prática, mas sabe-se que terá ajuda do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM), de Caxias. 

Polícia Civil acredita que senegalês tenha sido vítima de roubo

Dilma lamenta agressão a senegalês em Santa Maria e pede investigação à PF

Diba passou a quarta-feira sem sair de casa. Está menos assustado, garante Billy, e procura mandar notícias para os familiares.

— Entre senegaleses, ele está mais tranquilo. Logo vai estar se sentindo bem melhor —acredita Billy.



A documentação que possibilita a permanência no país do jovem agredido está em tramitação.

— Em virtude do que aconteceu, ele tem recebido bastante apoio da comunidade senegalesa e do povo daqui, de forma geral. Mais importante do que identificar e punir quem fez isso com ele, é refletir que casos assim não acontecem de forma isolada — avalia a coordenadora do CAM, Irmã Maria do Carmo Gonçalves.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Federal, ele teria ido pedir ajuda em uma padaria que fica na Avenida Rio Branco, na área central da cidade, por volta das 9h do sábado.

À Brigada Militar, o senegalês contou que acordou já com as chamas e viu quando o grupo fugiu levando uma maleta com as bijuterias que ele costuma vender pelas ruas da cidade, R$ 500 e os tênis que ele usava. Ele contou ainda que acabou dormindo na rua porque não conseguiu chegar a tempo no Albergue Municipal, que fecha às 20h.
Fonte: http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/noticia/2015/09/entre-nos-ele-esta-mais-tranquilo-diz-lider-dos-senegaleses-em-caxias-sobre-jovem-agredido-em-santa-maria-4849256.html